Título: Lula descarta mudanças e diz que não é esquerdista
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/07/2006, Nacional, p. A6
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista à agência de notícias internacional Reuters que nunca foi um "esquerdista". Ao falar sobre a gestão da economia, o presidente afirmou que não pretende mudar a linha mantida até agora pelo seu governo, caso seja reeleito, e acrescentou que nunca fora realmente de esquerda - diferentemente da imagem que muitas vezes foi projetada sobre ele, desde a fundação do PT.
Na entrevista à agência, Lula comentou os temores de alguns setores de que ele possa adotar uma política de esquerda para agradar antigos eleitores - que lhe deram votos em 2002, mas se decepcionaram com a política econômica extremamente ortodoxa seguida na sua gestão. "Não há razão para mudanças", sustentou Lula. "Há algumas coisas para aperfeiçoar. Nós queremos reduzir as taxas de juros, queremos que o País cresça um pouco mais, que crie mais empregos."
Lula disse que se engana quem acha que, no Brasil, há "uma política de ministros". "Nós temos política de governo. A política econômica não era do ministro (Antonio) Palocci e não é do ministro Guido (Mantega), a política econômica é do governo."
Lula ainda comentou a possibilidade de, em eventual segundo mandato, ceder demais a interesses de outros partidos para garantir alianças. Também nessa área o presidente disse que não haverá mudanças. "Seja quem for o escolhido para os ministérios da Fazenda ou do Trabalho, irá cumprir com as determinações do governo", afirmou. Na semana que passou, o presidente disse, em reunião com ministros, que caberá aos aliados que passarem a administrar ministérios a responsabilidade por eventuais irregularidades.
GOVERNABILIDADE
Sobre as alianças, Lula afirmou que aguarda para ver a composição do futuro Congresso para decidir como é possível compor maioria. Mas descartou a possibilidade de ter problemas de governabilidade. "Quantas vezes um governo americano ganhou as eleições quando o presidente era republicano e a maioria era democrata e vice-versa?", questionou o presidente. "E ele governaram.". Lula disse que o Congresso já lhe criou problemas, mas também votou "coisas importantes" que o governo desejava ver votadas.
O presidente Lula falou bastante sobre a viagem para a Rússia, iniciada ontem, para participar da reunião do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia). Lula afirmou que tem boas expectativas e que o Brasil está pronto a ser flexível nas questões de indústria e serviços e diminuir tarifas de importação. "Todos têm suas propostas no bolso. Eu proponho que todos as coloquem na mesa", disse.