Título: Israel ataca Ministério da Economia em Gaza
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Fonte: O Estado de São Paulo, 15/07/2006, Internacional, p. A22
A aviação israelense bombardeou hoje de madrugada a sede do Ministério da Economia da Autoridade Palestina (AP), na Cidade de Gaza, como parte de sua ofensiva contra alvos do governo e do grupo radical islâmico Hamas. Autoridades locais disseram que não houve feridos porque não havia ninguém no prédio.
Israel lançou uma ampla ofensiva militar terrestre e aérea na Faixa de Gaza no dia 25, depois que membros da ala militar do Hamas invadiram território israelense, capturaram um soldado e mataram dois. Para soltar o militar eles exigem a libertação de 1.400 palestinos presos em Israel.
Mais de 80 palestinos foram mortos nos bombardeios, que também destruíram pontes e inutilizaram a principal central de energia elétrica da Faixa de Gaza, deixando quase metade da população sem eletricidade. O governo israelense rejeitou as exigências dos militantes palestinos e advertiu que só interromperá sua ofensiva depois que o cabo Guilad Shalit for solto e os radicais pararem de lançar foguetes contra Israel.
A aviação já bombardeou o escritório do primeiro-ministro Ismail Haniye - um dos líderes do Hamas -, o Ministério do Interior e o Ministério das Relações Exteriores.
Ontem pela manhã, militantes do Hamas explodiram um trecho do muro que separa a Faixa de Gaza do Egito, formando um buraco de 6 metros de diâmetro que permitiu a passagem de quase mil palestinos bloqueados do lado egípcio da fronteira. Cerca de 6 mil palestinos estão há vários dias impedidos de entrar em Gaza porque depois da captura do soldado Israel fechou o terminal de Rafah, único acesso a outros países.
O Hamas é um grupo nacionalista palestino, de caráter fundamentalista islâmico, com uma plataforma centrada na criação de um Estado Islâmico na Palestina histórica (o que inclui Cisjordânia e Faixa de Gaza e todo o Israel). O grupo rejeita a existência de Israel e se recusa a abandonar a luta armada.
Depois que o Hamas venceu as eleições parlamentares de janeiro e tomou posse no governo, em março, os Estados Unidos e a União Européia - principais doadores de ajuda aos palestinos - iniciaram um boicote à administração.
Haniye tentou manter um tom conciliador, mas depois que a ala militar do Hamas capturou o soldado israelense, ele não condenou a ação e endossou a exigência de libertação de presos para soltá-lo.