Título: Para Jilmar Tatto, tucanos tentam dividir prejuízo com adversários
Autor: Alexandra Penhalver, Carlos Marchi e Chico de Gois
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/07/2006, Nacional, p. A4
O ex-secretário de Transportes de São Paulo na gestão Marta Suplicy (PT), Jilmar Tatto, afirmou ontem que membros do PSDB passaram a tentar envolver o PT nos ataques do PCC para não serem os únicos prejudicados pela crise da segurança paulista. Em nota, o partido também avisou que entrará na Justiça com uma "notícia-crime" contra o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, e contra o ex-prefeito José Serra (PSDB).
"O PSDB no Estado de São Paulo perdeu o controle da situação da segurança pública. Toda propaganda deles é em cima de que eles são bons gestores, e essa crise na segurança coloca em xeque esse discurso", afirmou Tatto.
Para o PT, "são irresponsáveis as declarações lançadas" por Serra e Bornhausen.
Tatto, que era o secretário de Transportes do PT em São Paulo, ao qual Serra fez menções ontem por supostas ligações com o PCC, disse que a crise na segurança "tem provocado um desgaste muito grande para o PSDB". "Agora querem envolver o PT para não ficarem amargando sozinhos esse desgaste", disse o petista que é também o terceiro vice-presidente nacional do partido.
Ele foi mencionado indiretamente por Serra por ter tido a prisão pedida pela polícia de Santo André, por suposta ligação com o PCC.
O petista foi acusado pelo dirigente da cooperativa de perueiros Cooper Pam, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, de ter pedido a inclusão de integrantes de uma outra cooperativa, a Transmetro - ligada a membros do PCC -, em seu grupo.
O ex-secretário afirmou ainda considerar que, tecnicamente, está descartada sua ligação com o caso. "Dois juízes, dois promotores, o Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária) não acataram o pedido de prisão feito pelo delegado", diz o petista.
Ele disse que, como secretário, foi vítima desses grupos.