Título: 'É insanidade vincular PT a crime'
Autor: Alexandra Penhalver, Carlos Marchi e Chico de Gois
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/07/2006, Nacional, p. A4
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou ontem as insinuações da oposição de que há ligação entre seu partido e o PCC. "É uma insanidade tentar vincular o PT ao crime organizado quando eles cuidam há 12 anos das cadeias de São Paulo. Por favor, leviandade tem limite e o jogo político exige que não se seja tão rasteiro", desabafou, ao abrir seu discurso na festa de lançamento de sua candidatura, em São Bernardo do Campo.
"Quando a gente estiver acusando alguém, temos de pensar não em quem estamos acusando, mas em quem está ouvindo, quem está nos assistindo", afirmou Lula para as cerca de 3 mil pessoas presentes. Em seguida, dirigindo-se ao senador Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo, prometeu empenho para elegê-lo na disputa contra José Serra (PSDB), que horas antes cobrou que "indícios" da associação entre o PT e o PCC fossem investigados.
O PT transformou a festa em ato contra a política de segurança do PSDB e as sugestões de que tenha ligação com o PCC. O ato foi aberto com um minuto de silêncio pedido pelo presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), em homenagem às vítimas do crime organizado.
Lula ressaltou a boa relação com o governador Cláudio Lembo e repetiu a oferta de auxílio. "Reafirmo que o governo fará tudo que estiver ao seu alcance para frear esta onda de violência montada pela indústria do crime", disse.
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também reagiu às declarações de Serra. "Se ele disse isso, está tentando transferir a questão política grave de São Paulo para o PT. É absolutamente estarrecedor que, no momento em que se mostra claramente que há uma falência da segurança pública no Estado, essa responsabilidade seja atribuída a um partido."
Ela frisou que a posição do governo Lula é a mesma, de oferecer apoio, seja em São Paulo, Rio, Espírito Santo ou Mato Grosso do Sul, e o surpreendente seria não fazê-lo. "Aí sim teria uma atitude incorreta e não qualificada." Dilma insistiu em que não há tentativa de exploração política. "Lamentamos que essa ajuda tenha justificado um ataque político dessa envergadura, pouco qualificado, de colocar o PT como responsável pelo PCC", afirmou a ministra.
SEGUNDO TURNO
Como parte da estratégia adotada para este momento da campanha, Lula sinalizou que um segundo turno não o amedronta. "Nosso sonho é como se fosse uma partida de futebol", disse.
"Ao terminar nosso primeiro mandato, terminou o primeiro tempo e me parece que estamos fisicamente preparados não apenas para jogar o segundo tempo, como para agüentar uma prorrogação e ainda ganhar nos pênaltis, se for necessário."