Título: Deputados do PSB aparecem em nova denúncia no Rio
Autor: Wilson Tosta
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/07/2006, Nacional, p. A4

Três entidades que receberam verbas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) a partir de emendas de deputados filiados ao PSB - e acusados no escândalo dos sanguessugas - estão sendo notificadas a explicar irregularidades apontadas por uma auditoria da instituição. Foi checada a aplicação de R$ 3.322.081,50 liberados no orçamento deste ano - a partir de cinco emendas dos deputados do Rio João Mendes de Jesus, Paulo Baltazar e Doutor Heleno - e investigadas as organizações da sociedade civil de interesse público Intedeq, Ibrae e Iapv. Todas tinham indícios de práticas irregulares e uma de uso de documento falso.

A Finep é subordinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), cujo titular, Sergio Rezende, é da cota do PSB no governo federal. A investigação reforça os indícios de que, além de ambulâncias, os sanguessugas já atuavam na venda de veículos maiores, como ônibus, e expandiam a sua atuação além da saúde, vendendo equipamentos de informática.

No caso específico da Finep, o alvo da quadrilha eram projetos de inclusão digital, com verbas liberadas pela instituição, que era encarregada, legalmente, de formatar definitivamente as propostas. A partir da descoberta dos primeiros indícios de irregularidades, a financiadora solicitou o bloqueio das contas onde estava o dinheiro.

Segundo apurou o Estado, a entidade com maior número de indícios de irregularidades é o Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento de Qualidade (Intedeq). A entidade licitou uma compra de ônibus em novembro do ano passado, três meses antes de a instituição aprovar o projeto que incluía a compra. A beneficiária foi a Planam, empresa-mãe do esquema.

As entidades terão agora cinco dias para apresentar as suas justificativas, prorrogáveis por mais cinco dias. Depois, o material será enviado à Controladoria-Geral da União (CGU), para aprofundamento das investigações.