Título: Para Mantega, custo do crédito pode cair mais
Autor: Renata Veríssimo e Adriana Fernandes
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/07/2006, Economia & Negócios, p. B4
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o custo do crédito no Brasil não vem caindo no ritmo desejado. "O que está baixando é a taxa de juros, principalmente por causa da queda da Selic. O spread (diferença entre o custo do dinheiro para os bancos e o que cobram dos clientes) não está baixando na proporção devida. Então, é uma preocupação permanente", afirmou o ministro.
Mantega vem conduzindo, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as discussões com os bancos públicos para a definição de medidas que levem à queda do spread bancário e, conseqüentemente, dos juros.
"Embora os bancos públicos já cobrem taxas menores que os privados, elas ainda estão elevadas do ponto de vista da racionalidade econômica", explicou. Para Mantega, as taxas cobradas no crédito consignado poderiam ser menores, considerando o comportamento da inflação e o grau de segurança do retorno do empréstimo.
O ministro sinalizou que pode haver redução das taxas nos empréstimos com recursos dos fundos constitucionais (como finor. Segundo ele, esses juros eram menores que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), cobradas nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas, com as últimas reduções da TJLP, hoje em 7,5% ao ano, ficaram defasados. "Como há uma redução geral dos juros, esses fundos que tinham juros baixos deixaram de ter. Provavelmente, vamos reduzi-los", afirmou o ministro.
O presidente Lula tem pressionado os bancos oficiais a baixar os juros para induzir as instituições privadas a fazer o mesmo. "O governo está conclamando os bancos para que façam um trabalho no sentido de que o spread caia", disse Mantega.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, disse que o esforço dos bancos oficiais para reduzir os spreads não comprometerá "a boa governança". Segundo ele, qualquer medida deve se encaixar na estratégia competitiva dos bancos, sem afetar a rentabilidade ou do bom funcionamento das instituições.
Segundo Appy, estão sendo discutidas medidas de aperfeiçoamento do mercado de crédito. Entre as propostas em estudo estão maneiras de reduzir os custos administrativos e a inadimplência, componentes importantes na formação do spread, além da necessidade de aumentar a escala das operações de crédito no País.
Para o secretário, à medida que aumenta o volume do crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do País, a tendência é que os custos se diluam e se traduzam na redução dos spreads.