Título: Para empresários, níveis ainda são absurdos
Autor: Vânia Cristino
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/06/2006, Economia & Negócios, p. B6

As taxas de juros cobradas nas operações de crédito bancário continuam em queda, mas ainda estão muito longe dos níveis considerados aceitáveis, na opinião de empresários e economistas. Para o diretor do Departamento de Competitividade do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Mário Bernardini, o juro real cobrado no País foge de qualquer padrão dos mercados financeiros mundiais.

"Em qualquer lugar do mundo se imagina que se ganhe a inflação, o custo do dinheiro e mais 3% ou 4%. Aqui se ganha de 10 a 15 vezes o valor da inflação, o que é um absurdo."

Os juros efetivamente cobrados das empresas e dos consumidores, na avaliação de Bernardini, são incompatíveis com a evolução da renda dos brasileiros e com a capacidade das empresas gerar receitas.

"Tirando meia dúzia de monopólios e oligopólios, a rentabilidade média da indústria de transformação hoje é de 8% a 10%. Isso significa que, para pagar esses juros aos bancos, ou a empresa não toma dinheiro emprestado ou tira do patrimônio."

O economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo, diz que há espaço para queda maior dos juros no País. Segundo ele, o governo poderia contribuir reduzindo impostos. "Temos um tributo esdrúxulo chamado Imposto sobre Operações Financeiras, que deve ser único no mundo. Ele foi criado em determinado momento para enxugar a liquidez e virou fonte de receita que ninguém se lembra de eliminar."