Título: 'O Brasil não promete. Fala só o que pode fazer'
Autor: Vera Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/07/2006, Economia & Negócios, p. B1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ontem uma estocada em seu colega da Venezuela, Hugo Chávez, com quem disputa informalmente a liderança política na região. Enquanto o venezuelano conquista apoios políticos distribuindo investimentos financiados pelos dólares de suas exportações de petróleo, Lula oferece financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"O dinheiro do Brasil não é meu e eu não posso sair por aí oferecendo dinheiro para qualquer pessoa", declarou Lula, ao ser perguntado sobre a demora do BNDES em conceder empréstimos para os países mais pobres, apesar do discurso oficial de que a ajuda é necessária.

"O Brasil não promete. O Brasil fala do que pode fazer, respeitando a legalidade. Quando o BNDES faz um empréstimo para um país, precisa de garantias. Afinal, o dinheiro não é do presidente do BNDES nem do presidente da República, é do Estado brasileiro."

Ontem mesmo, Chávez deu uma demonstração de força ao anunciar uma ajuda de US$ 100 milhões para o Paraguai pagar as dívidas de Itaipu.

Lula, por sua vez, acenou com maior acesso ao mercado brasileiro e com investimentos produtivos. Lula e Chávez coincidiram ao defender o ingresso da Bolívia no Mercosul.

Segundo fontes do governo, o apoio do Brasil à entrada da Venezuela no Mercosul foi uma tentativa de conter os avanços de Chávez. Lula acredita que, como membro do Mercosul, conseguirá manter o venezuelano mais próximo de si. É uma posição mais vantajosa do que mantê-lo afastado e irritado. Chávez, porém, acredita que sua entrada no bloco sul-americano vai reforçar a sua posição de liderança no bloco.