Título: Rússia pressiona para ser aceita na OMC antes da cúpula do G-8
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Fonte: O Estado de São Paulo, 05/07/2006, Economia & Negócios, p. B3

A Rússia deixará de aplicar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) se não for aceita no grupo, advertiu ontem o presidente russo, Vladimir Putin, segundo a agência Interfax.

"A Rússia não é hoje membro da OMC e o único país com que não chegamos a um acordo sobre nossa adesão é os Estados Unidos", declarou Putin em encontro na Câmara de Comércio Internacional de Moscou. "Se por qualquer motivo não chegarmos a um entendimento, abandonaremos os acordos firmados até agora, e por nós cumpridos mesmo sem sermos membros dessa organização."

A Rússia espera alcançar um acordo comercial com Washington que permita sua entrada na OMC antes da cúpula do G-8 (grupo dos oito países mais industrializados e a Rússia), que será realizada em São Petersburgo entre os dias 15 e 18.

Os EUA são o maior obstáculo às pretensões russas. As conversações estão difíceis nos temas como o acesso aos mercados financeiros russos e os direitos de propriedade intelectual.

Caso Rússia e EUA cheguem a um acordo, a assinatura do protocolo comercial entre ambos poderia ocorrer durante a visita oficial à Rússia do presidente George W. Bush.

O assessor de Putin, Sergei Prikhodko, reconheceu que a "Rússia deseja entrar na OMC, mas em cada processo de negociação há duas partes", em alusão aos impedimentos apresentados pelos EUA. "Devemos responder às questões pendentes em um prazo de tempo muito curto, mas há possibilidades para isso", assinalou.

Prikhodko disse ainda que "não será uma tragédia" se a entrada russa ocorrer após a cúpula do G-8.

A Rússia tenta ingressar na OMC desde 1993.

No começo do ano, Putin acusou os EUA de imporem impedimentos "adicionais" e dilatarem "artificialmente" as negociações para o ingresso da Rússia. O Kremlin afirma que as exigências americanas são o único obstáculo que separa a Rússia de ser membro pleno da OMC.

Segundo os analistas, o centro da discórdia é a negativa de permitir a implantação na Rússia de filiais de bancos estrangeiros, exceção que Washington se nega a fazer por temor de abrir um precedente para futuras negociações.

A Rússia afirma que este não é um requisito imprescindível para seu ingresso na organização e acusa o governo americano de defender seus interesses particulares.

Da mesma forma como ocorreu para a adesão da China na OMC em 2001, os EUA insistem também na necessidade de melhorar a proteção dos direitos de propriedade intelectual na Rússia. Os obstáculos colocados pelos EUA levaram alguns membros do governo russo a pronunciar-se por um adiamento das negociações, para evitar uma entrada inoportuna e a qualquer preço.