Título: Juro na zona do euro sobe para 3%
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Fonte: O Estado de São Paulo, 04/08/2006, Economia, p. B7
O Banco Central Europeu (BCE) subiu ontem os juros básicos na zona do euro para 3% ao ano, e o presidente da autoridade monetária, Jean-Claude Trichet, deu a entender que a taxa pode voltar a subir de forma moderada, possivelmente na reunião de outubro. A elevação, de 0,25 ponto porcentual, foi definida pelo Conselho de Governo do BCE. Em Londres, o Banco da Inglaterra aumentou os juros básicos também em 0,25 ponto porcentual, mas, neste caso, para 4,75% ao ano.
Com a decisão de ontem, os juros da zona do euro atingiram 3% pela primeira vez nos últimos sete anos. Em dezembro de 2005, o BCE elevou os juros em 0,25 ponto porcentual, na primeira alta em cinco anos, após manter a taxa em 2% durante dois anos e meio.
O presidente do BCE disse que "a entidade não toma decisões antecipadas" e não "está comprometida previamente com um aumento das taxas de juros da zona do euro a cada dois ou três meses". "Faremos o que acharmos necessário", afirmou Trichet. "Nossa atuação dependerá dos fatos e dos números que tenhamos à disposição."
Segundo Trichet, a inflação da região do euro ficará acima de 2% este ano e em 2007. O banco entende a estabilidade de preços como uma taxa de inflação próxima, porém inferior, a 2%. O presidente do BCE insistiu em que os riscos para a estabilidade de preços a curto e a médio prazos permanecem, principalmente por causa do encarecimento do petróleo e da forte expansão do crédito, especialmente das hipotecas e da massa monetária em circulação na zona do euro.
O crescimento da massa monetária, medido pelo índice agregado M3, baixou para 8,5% em junho, frente aos 8,8% revistos em maio, um ritmo menor que o previsto pelos analistas. Este índice superou durante cinco anos consecutivos o valor máximo de referência, que o BCE estabelece em 4,5%. Em junho, entretanto, começou um certo esfriamento que, segundo Trichet, é um sinal das altas das taxas de juros e do fato de os mercados financeiros terem se antecipado a elas. Analistas previram, com base nas palavras de Trichet, que o BCE elevará a taxa de juros novamente em outubro e, provavelmente, em dezembro, para 3,5%
INGLATERRA Ao contrário do BCE, a decisão do Banco da Inglaterra pegou o mercado financeiro de surpresa. Foi a primeira vez em dois anos que a autoridade monetária do país puxou para cima a taxa básica de juros. O BC inglês explicou que a elevação deveu-se à alta da inflação. "O ritmo da atividade econômica acelerou-se nos últimos meses. O gasto das famílias parece ter-se recuperado depois da queda que se seguiu ao Natal passado", disse a entidade, num comunicado divulgado depois do encontro.
Para analistas, a medida não indica que o BC inglês aumentará necessariamente a taxa nas próximas reuniões. "Vemos essa alta como uma espetada na política monetária para evitar que as taxas tenham de subir novamente", disse Philip Shaw, economista-chefe da Investec.
Ainda ontem, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, comentou ontem a taxa de juros no Japão. "A política monetária deve ser vigilante, mas deveria levar em consideração que não há nenhuma pressão inflacionária no país agora", disse. Em 14 de julho, o Banco do Japão elevou o juro básico no país pela primeira vez em sete anos - de 0 para 0,25% ao ano.