Título: Supremo abre inquérito contra mais 27 parlamentares
Autor: Denise Madueño, Rosa Costa
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/08/2006, Nacional, p. A4

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, abriu ontem 27 novos inquéritos para investigar congressistas suspeitos de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. Contadas as investigações já abertas anteriormente, tramitam atualmente no STF 84 inquéritos para apurar suspeitas de participação de parlamentares no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras.

Mendes não revelou o nome dos investigados. Os inquéritos tramitam sob segredo de Justiça no STF para garantir a eficácia das investigações, segundo o tribunal. No despacho, o ministro também determinou a remessa dos autos à Polícia Federal e deu prazo de 30 dias para que sejam colhidos depoimentos de todos os congressistas investigados e dos outros suspeitos de envolvimento com o esquema.

O vice-presidente do tribunal também pediu que sejam identificados os assessores parlamentares supostamente envolvidos nos episódios.

A abertura dos inquéritos foi requisitada na semana passada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. O procurador tomou a decisão após analisar novos documentos, livros contábeis, papéis bancários e depoimentos sobre as supostas fraudes, entre eles os do empresário Luiz Antonio Vedoin, um dos donos da Planam, empresa acusada de liderar o esquema das ambulâncias.

INQUÉRITOS SEPARADOS Ao contrário da estratégia utilizada no caso do mensalão, quando pediu a abertura de apenas um inquérito no STF para investigar várias pessoas, Souza requisitou desta vez uma ação para cada suspeito, o que deve tornar menos lenta a tramitação das apurações.

Após a eleição, os procedimentos contra parlamentares que não conseguirem se reeleger deverão ser transferidos para a Justiça de 1ª Instância. No STF devem tramitar originalmente inquéritos apenas contra autoridades, como parlamentares.