Título: Serra promete incentivos contra guerra fiscal
Autor: Ricardo Brandt e Chico de Góis
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/07/2006, Nacional, p. A9

O candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB, José Serra, afirmou ontem que o Estado vem perdendo empresas e, conseqüentemente, acumulando desemprego, ao defender política de enfrentamento à guerra fiscal praticada pelas unidades da Federação. Para ele, o governo deve intervir com incentivos regionais e setoriais e criar agência que ajude a buscar recursos no BNDES para o desenvolvimento.

"A estratégia geral é de enfrentamento à guerra fiscal. Cada caso é um caso, e o governo passado fez bastante nessa direção", afirmou Serra, após caminhada em Tatuí (SP).

O candidato usou como exemplo a indústria do frango, após visita a Sorocaba, onde foi a um abatedouro do Grupo Céu Azul. "A indústria do frango estava desaparecendo por causa da guerra fiscal. O governo zerou a alíquota e manteve as indústrias de frango", disse, ao ressaltar avanços na área.

Serra ainda prometeu dar incentivos, dentro do Estado, por regiões, dando como exemplo a cidade de Franco da Rocha, onde o Estado é proprietário de uma fazenda e a indústria moveleira local passa por dificuldades. "Vamos dar incentivos para que a indústria moveleira possa se instalar nessa área e gerar emprego."

O ex-prefeito também defendeu a criação de uma agência de desenvolvimento que ficaria responsável pelo repasse de financiamentos do BNDES para os municípios. Mais uma vez, Serra prometeu lutar pela criação de empregos e passou ao governo federal a responsabilidade pela proliferação de ofertas de postos de trabalho. "A geração de empregos depende muito da política econômica federal, como taxa de juros, e da política de câmbio, que está prejudicando muito esta empresa", falou para funcionários do Grupo Céu Azul.

O diretor da companhia, Franklin Pavan, disse que, antes da valorização do real e do problema da gripe aviária, o abatedouro exportava cerca de 70% da produção. Hoje, a produção caiu e as exportações não ultrapassam 40%.

Questionado, em Tatuí, sobre a segurança pública no Estado, defendeu mais investimento para a área de inteligência policial e integração das esferas do poder público.