Título: Andreas demoliu teses da defesa
Autor: Roberta Pennafort, Laura Diniz
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/07/2006, Metrópole, p. C3

O depoimento de Andreas von Richthofen "complicou" as duas principais teses da defesa da irmã, Suzane: a "coação moral irresistível" (pressão que seria exercida por Daniel Cravinhos) e a "inexigibilidade de conduta diversa" (ela não poderia agir de outra forma diante da situação), segundo criminalistas ouvidos pelo Estado.

"Acho que ele (Andreas) dizer que havia um bom relacionamento em casa desestrutura qualquer tipo de tese que tenha por base um conflito familiar", disse o advogado Celso Vilardi, que considera "isento" o depoimento de Andreas. O rapaz afirmou que o pai, Manfred, não agrediu nem abusou dos filhos.

"O depoimento complicou bastante a situação da Suzane. Ele disse que ela estava tranqüila no dia dos fatos, almoçou normalmente com o irmão e depois foi fumar maconha. A tese da coação irresistível ficou em posição difícil", avalia o criminalista Luiz Flávio Gomes, que foi juiz por 15 anos. Para ele, o mais importante foi Andreas ter revelado a "frieza e insensibilidade da irmã, mesmo depois do delito". Isso, explica, demonstra que não haveria coação. "A posição dos réus é difícil e a condenação parece inevitável."

Para Vilardi, a hipótese de Suzane abrir mão da herança não é, hoje, um tema que faça tanta diferença. "É natural, o mínimo que ela poderia fazer. Qualquer tipo de esperança aniquilaria as chances dela, que já são remotas", disse. O advogado avalia que o conflito de teses não é bom para ninguém. "Tem o passado, quando eles estavam em conluio. O conflito não me parece algo que dê esperanças às defesas."

Na avaliação do professor de Direito Penal da USP Paulo José da Costa, de 80 anos, que já enfrentou 200 júris, a acareação de Suzane com os Cravinhos é fundamental "para descobrir a verdade". "Os depoimentos são muito contraditórios."

Costa afirma que a "grande prova" é a perícia. "Essa versão de um irmão inocentando o outro, acho tardia. E há um desmentido da prova pericial."