Título: Estacionam os desembolsos do BNDES para exportação
Autor: Adriana Fernandes, Patrícia Campos Mello
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/06/2006, Economia, p. B5
Os desembolsos do BNDES para as exportações estão estacionados este ano, na comparação com o ano anterior. Os valores deverão fechar maio em U$ 1,680 bilhão (o equivalente a R$ 3,8 bilhões ao câmbio atual), apenas 2% acima do mesmo período de 2005. Para o banco, ainda não houve liberação para grandes projetos de exportações de serviços no ano e já se esperava uma estabilidade.
O superintendente de Comércio Exterior do banco, Luiz Antônio Araujo Dantas, prevê que os desembolsos para o ano deverão repetir o valor do ano passado, ao redor de US$ 5,9 bilhões. A baixa performance não reflete as preocupações das empresas com o câmbio fraco, que marcou os primeiros meses de 2006. Os desembolsos ano passado é que foram fortes, disse o executivo, 51,3% acima dos de 2004.
O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, alerta, porém, que, apesar de o financiamento do banco estar estacionado até maio, poderá cair até o fim do ano. "Imaginamos que pode haver uma retração, porque a perspectiva futura de crescimento de exportações de manufaturados está nebulosa. Com essa perspectiva, as empresas vão tomar menos financiamentos."
Apenas em financiamentos à exportação de serviços foram desembolsados US$ 450 milhões no ano passado, em obras na região da América Latina. "São operações que envolvem obras de infra-estrutura, de longo prazo de execução e financiamento. O câmbio pontual não é tão importante", diz o executivo. Ainda este ano deverão ser liberados financiamentos à usina hidrelétrica La Vueltosa e à linha 3 do Metrô de Caracas, ambas na Venezuela.
Dantas explica que, historicamente, a situação do câmbio afeta as exportações de bens de consumo no longo prazo. Mas, reconhece, alguns exportadores podem enfrentar dificuldade em renovar contratos, principalmente os de menor porte.
Esta semana, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, disse que o banco participará do pacote cambial. Segundo o ministro, a idéia seria estender a outros setores condições que os segmentos de bens de capital e calçados já têm nos financiamentos de pré-embarque, corrigidos 100% pela Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP. Isso reduz o risco de as variações cambiais afetarem o financiamento, permitindo baratear o crédito. De forma geral, os outros segmentos têm parte do financiamento corrigido pela TJLP e a outra parte, pela variação de uma cesta de moedas.
Dantas lembra que só em 2005 foram liberados US$ 739 milhões ao setor automotivo, numa linha criada no segundo semestre, que pretendia dar maior competitividade às vendas externas do setor. Este ano, mais US$ 63 milhões foram liberados. Segundo ele, essa linha atenua os efeitos do câmbio fraco. Mas, reconhece, "talvez não resolva todos os problemas deles ( as empresas do setor automotivo)".