Título: CNI vê troca de insumos nacionais por importados
Autor: Adriana Fernandes, Patrícia Campos Mello
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/06/2006, Economia, p. B5

É crescente o número de grandes empresas que vêm substituindo a compra de produtos nacionais por insumos e matérias primas estrangeiros para reduzir os custos de produção. No ano passado, essa opção foi utilizada por 71% das grandes empresas, ante 69% em 2004, e esse quadro tende a se acentuar em 2006, de acordo com a Sondagem Especial, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o estudo, 28% das empresas que já se valem de bens importados informaram que vão acentuar estas compras neste ano. Dos 26 segmentos consultados, 16 seguirão essa tendência.

De acordo com o trabalho, isso decorre do processo de valorização do real, desde o início de 2003, que desencadeou a transformação da estrutura de comércio exterior da indústria brasileira, ao afetar os preços relativos. "O crescimento das importações continua mais ligado à atividade econômica, mas a valorização do real apresenta-se, cada vez mais, como um fator de estímulo", diz a Sondagem Especial. A pesquisa foi realizada entre 28 de março e 19 de abril, e envolveu consultas a 1.264 pequenas e médias empresas e a 2.315 indústrias de grande porte.

Entre pequenas e médias empresas, o movimento é menos intenso - 33% das firmas deste grupo indicaram maior opção por produtos importados em 2005, parcela praticamente igual à de 2004 (34%).

De acordo com a CNI, a valorização do real começa a afetar também as exportações, apesar do recorde batido em 2005, quando elas cresceram 22,6% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 118,3 bilhões. O trabalho afirma que as empresas industriais contribuíram menos para as exportações brasileiras em 2005 e que esse quadro vai se agravar nos próximos seis meses, sobretudo no caso das vendas externas de companhias de pequeno e médio portes. Nos próximos seis meses, a maioria das grandes empresas prevê que suas exportações vão se manter estáveis, mas as pequenas e médias estimam queda nos seus embarques.