Título: Para voar, só pagando antes
Autor: Alberto Komatsu
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/07/2006, Economia, p. B9
A Varig pagou ontem R$ 175 mil à Infraero, estatal que administra os aeroportos do País, para poder voar hoje. O dinheiro se refere às tarifas de embarque pagas pelos passageiros no momento da retirada de um bilhete aéreo.
Desde o último sábado, a Varig está tendo de recolher à estatal, com um dia de antecedência, as tarifas dos usuários sob pena de ser impedida de operar seus vôos. Na sexta-feira passada, a Varig recolheu de uma única vez à Infraero R$ 525 mil em tarifas relativas aos embarques que ocorreriam no sábado, domingo e ontem. O pagamento antecipado está sendo possível graças aos depósitos diários de recursos que estão sendo feitos pela VarigLog para que a Varig mantenha suas operações.
Embora o pagamento esteja em dia desde sábado, a Varig deve cerca de R$ 600 mil à Infraero, referentes a suas operações nos últimos três anos. Entre abril e junho, a empresa deixou de repassar à estatal R$ 35 milhões em taxas que foram pagas pelos passageiros.
No entendimento da Infraero, nesse caso a Varig se apropriou de dinheiro que não lhe pertencia, o que configura crime. Por isso, a estatal notificou o Ministério Público Federal pedindo providências. Fontes da empresa informaram que o presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, espera uma proposta de negociação da quitação dessa dívida tão logo esteja definido o destino da companhia aérea.
Antes do agravamento da crise, em abril, que levou a companhia aérea a reter as tarifas pagas pelos passageiros, a Varig já estava devendo à Infraero as tarifas aeroportuárias que devem ser pagas pelas empresas aéreas para usar as instalações dos aeroportos para pousos, decolagens e manutenção de aviões.
COPA DO MUNDO De acordo com a Infraero, a Varig cancelou ontem 51% dos vôos originalmente programados para o dia. Dos 386 vôos previstos, foram cancelados 197.
Apesar de a seleção brasileira ter sido eliminada da Copa do Mundo antes do esperado, a Varig não registrou nos últimos dois dias nenhum movimento "excepcional" de passageiros querendo antecipar a volta ao País.