Título: Credores da Varig vão avaliar oferta
Autor: Alberto Komatsu
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/07/2006, Economia, p. B9

Depois do aval do Ministério Público do Rio e da consultoria Deloitte, a proposta da VarigLog para comprar a ex-controladora por cerca de US$ 500 milhões terá, agora, de passar pelo crivo dos credores da Varig. Ontem, o juiz Luiz Roberto Ayoub, responsável pela recuperação judicial da companhia, convocou assembléia para a próxima segunda-feira. Caso a oferta seja aceita, um novo leilão será realizado no dia 12.

A Varig prorrogou ontem a suspensão de parte de sua malha de vôos até o dia 11. Atualmente, a Varig atende 26 destinos dentro e fora do País.

O primeiro leilão, realizado em 8 de junho, foi anulado porque o vencedor, o Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), não depositou a primeira parcela da oferta, não apresentou investidor e não comprovou a origem dos recursos. Os investidores que quiserem concorrer com a VarigLog no próximo leilão, terão de depositar, em juízo, US$ 22 milhões para garantir o ressarcimento do empréstimo de US$ 20 milhões que a ex-subsidiária está aportando na Varig, dinheiro que garantirá a operação da companhia até a efetivação da venda. Os US$ 2 milhões a mais correspondem a um prêmio de 10% sobre a linha de crédito aberta pela ex-subsidiária.

Do empréstimo que a VarigLog se propõe a fazer, pelo menos US$ 7 milhões já foram desembolsados desde o dia 26 para custear gastos referentes a combustível, tarifas aeroportuárias e arrendamento de aviões. Ontem, a Varig recebeu mais uma parcela do empréstimo, cujo valor não foi divulgado.

O edital do novo leilão, previsto para ser publicado a partir de hoje, deve obrigar os interessados a apresentarem carta de fiança no valor de US$ 100 milhões, segundo fontes que acompanham a reestruturação.

A proposta da VarigLog recebeu parecer favorável do MP do Rio na sexta-feira, após a entrega dos detalhamentos da oferta ao MP e ao administrador judicial da Varig, a Deloitte. "A proposta de poucas folhas está prenhe de incógnitas em torno dos valores envolvidos na alienação", informa o parecer do MP, assinado pelo promotor de Justiça Gustavo Lunz. "Há paralela promessa de contratação futura de serviços e fretamentos, cujos preços são impossíveis de aferir, ante o desconhecimento de seus objetos e quantidades."

A principal dúvida era sobre a situação da antiga Varig, um desmembramento da companhia, que herdará o passivo de R$ 7,9 bilhões. Para a Justiça, os interessados deveriam garantir que a empresa tenha receita para amortizar o passivo.

A proposta apresentada pela VarigLog prevê que pelo menos uma das outras duas concessionárias que estão em recuperação judicial além da Varig - a Rio Sul e a Nordeste - seja mantida na antiga Varig, cuja operação será assegurada por meio de um contrato de fretamento de aeronaves e da criação de um centro de treinamento de pilotos.

Pelo plano da VarigLog, a antiga Varig terá 5% da companhia resultante da reestruturação por meio de papéis de dívida (debêntures) não transferíveis e conversíveis em ações. Mesmo se essa companhia não apresentar lucro, a ex-subsidiária garante uma remuneração anual de R$ 4,2 milhões, divididos em parcelas mensais. A mesma regra valerá para os trabalhadores que também terão direito a 5% da Varig reestruturada. A VarigLog quer 90% de participação e planeja desembolsar US$ 485 milhões para isso.