Título: No time sanguessuga, 57 não estão inelegíveis
Autor: Mariângela Gallucci
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/08/2006, Nacional, p. A4

Há 57 parlamentares suspeitos de envolvimento com a máfia dos sanguessugas que são candidatos, mas não estão na lista de inelegíveis do Tribunal de Contas da União (TCU) nem dos Tribunais de Contas dos Estados ou dos Municípios. Por isso, esses 57 não serão atingidos pela nova regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O número de deputados que são candidatos e acusados de ligação com o esquema de venda superfaturada de ambulâncias a prefeituras com recursos de emendas ao orçamento ainda pode diminuir, mas não por decisão judicial. Depois de criticados por leniência, partidos que abrigam parlamentares sob suspeita pretendem agir. Na próxima semana, por exemplo, o PFL deve cassar os registros dos envolvidos da legenda. Dessa maneira, pretende impedir que sete deputados concorram a novos mandatos em outubro.

Não deve se esperar, porém, punições em massa dos partidos. PTB, PSB e PL, entre outros, não devem retirar as candidaturas de seus deputados, pois entendem que, mesmo acusados de corrupção, eles são bons puxadores de voto e podem ajudar suas legendas a ultrapassarem a cláusula de barreira - regra que entra em vigor para a eleição deste ano e determina que os partidos que não alcançarem 5% dos votos nacionais e 2% em pelo menos nove Estados sofrerão uma série de restrições. Os partidos que não chegarem a esses índices perderão participação no Fundo Partidário e não terão direito a programas de rádio e TV. No Congresso, seus filiados não terão direito a liderança nem a integrar comissões.

Em seu relatório parcial, a CPI dos Sanguessugas acusou 72 parlamentares: 69 deputados e 3 senadores. Desse total, dois deputados renunciaram a seus mandatos e às candidaturas: Marcelino Fraga (PMDB-ES) e Coriolano Sales (PFL-BA).