Título: Morre em Brasília o ex-ditador Stroessner
Autor: Denise Chrispim Marin
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/08/2006, Internacional, p. A19

O ex-ditador do Paraguai Alfredo Stroessner morreu ontem, aos 93 anos, no Hospital Santa Luzia, em Brasília, onde estava internado desde o último dia 29 de julho. Stroessner havia sido submetido a uma cirurgia para tratar uma hérnia, mas uma pneumonia complicou seu quadro clínico. O vice-chanceler paraguaio Luis Morínigo disse à agência Ansa que não haverá impedimento para que ele seja sepultado no Paraguai, mas lembrou que há uma ordem de prisão contra seu filho mais velho, Gustavo Stroessner Mora, acusado de fraude contra o Estado.

Stroessner estava exilado no Brasil desde 1989, quando um golpe militar o derrubou do poder, que ele exercia desde 1954. Ele chegou à presidência paraguaia muito antes da onda de golpes de Estado e instalação de ditaduras apoiadas pelos EUA. Por meio de eleições viciadas, foi reeleito por oito mandatos consecutivos, tornando-se o governante que exerceu o poder por mais tempo na América Latina, com exceção do cubano Fidel Castro. Pesavam contra ele denúncias de crimes políticos e violações de direitos humanos. Pedidos paraguaios para extraditá-lo, por essas acusações, foram rejeitados pela Justiça brasileira.

Veterano da Guerra do Chaco, contra a Bolívia, em 1932, Stroessner manteve um governo de estreitas relações com os EUA e assegurou a manutenção de seu poder graças a uma eficiente e implacável polícia política. Mais tarde, associado a grupos de repressão das ditaduras militares de Argentina, Brasil, Bolívia, Chile e Uruguai, participou do esforço repressivo conhecido como Operação Condor. O regime de Stroessner é apontado como o responsável pela morte ou desaparecimento forçado de pelo menos 120 paraguaios na Argentina.

Ironicamente, a morte do ex-ditador foi anunciada praticamente na mesma hora em que a Fundação Celestina Pérez de Almada inaugurava em Assunção um museu para lembrar as vítimas da repressão. "Sinto-me triste porque liderei uma batalha jurídica pela extradição (de Stroessner), para que ele pagasse por seus crimes, mas a impunidade prevaleceu", disse Martín Almada, diretor da fundação e viúvo de Celestina, uma das vítimas da repressão.COM ANSA