Título: Rival desiste e abre caminho para a Vale comprar a Inco
Autor: EDUARDO KATTAH E NICOLA PAMPLONA
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/08/2006, Negócios, p. B18

A Companhia Vale do Rio Doce ficou ontem mais perto de comprar a mineradora canadense Inco. A Teck Cominco, que também havia feito uma oferta pela Inco, voltou atrás em seu plano de elevar os valores da proposta e saiu da disputa. Em comunicado, o presidente da Teck Cominco, Don Lindsay, disse que a empresa não conseguiu reunir o apoio necessário para chegar à oferta de 89 dólares canadenses por ação - que superaria a oferta da Vale, de 86 dólares canadenses por ação.

O presidente da Vale, Roger Agnelli, preferiu não comentar a desistência da Teck Cominco. "Pelo que eu sei, a proposta original da Teck Cominco é válida até o final da noite de hoje (ontem)." Para Agnelli, este é o momento de a empresa agir estrategicamente. Ele, porém, deixou claro a determinação da Vale pela compra da Inco. "Para a Vale, em função da tecnologia e do conhecimento que essa empresa dispõe e, principalmente, pelo quadro de empregados - porque é ali que está o conhecimento -, interessa muito."

Além da Teck Cominco e da Vale, a americana Phelps Dodge também fez uma oferta pela Inco. A diferença, em favor do grupo brasileiro, é que sua oferta, que chegaria no total a US$ 17,8 bilhões, é toda em dinheiro. As duas outras propostas incluem um grande porcentual em troca de ações. A Phelps Dodge ainda pode elevar sua oferta e provocar um leilão com a Vale. Mas um dos principais acionistas do grupo americano já se posicionou contra aumentar a proposta pela Inco.

Agnelli assegurou que a Vale não corre o risco de contrair um endividamento excessivo caso adquira o controle da Inco. Ele insistiu que considera a oferta um "preço justo" e negou-se a comentar se há margem para um eventual aumento da proposta. "Se o endividamento fosse excessivo, os bancos não estariam emprestando", disse. "A Vale tem condições de levantar esses recursos e amortizar e pagar esse empréstimo de forma muito tranqüila", completou, após audiência com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), em Belo Horizonte. Segundo Agnelli, a eventual compra da Inco e a conseqüente "diversificação geográfica" da mineradora brasileira, ao contrário, dará mais segurança aos seus investidores.

FÔLEGO A saída da Teck Cominco da disputa pela Inco deu novo fôlego às ações da Vale, que vinham de dois dias seguidos de queda na Bovespa. Ontem, os papéis da mineradora brasileira fecharam em alta de 2,7% e impulsionaram o índice da bolsa, que terminou o pregão 1,02% acima do fechamento do dia anterior.

Na avaliação do mercado, a saída de um dos concorrentes reduz as chances de a Vale aumentar sua oferta inicial de 86 dólares canadenses por ação da Inco. Em relatório divulgado pela manhã, o banco Bear Sterns avaliava que a empresa brasileira poderia chegar a 110 dólares canadenses por ação, caso a concorrência se acirrasse. O montante ofertado inicialmente pela Vale já tinha preocupado os investidores, com temor de que a companhia se endividasse demais para realizar a operação.