Título: Lula ataca FHC, gestão tucana em SP e Alckmin
Autor: Ricardo Brandt
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/08/2006, Nacional, p. A4

Mesmo disparado na frente nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem deixou a linha paz e amor de lado e partiu para o ataque contra seu principal adversário, Geraldo Alckmin, no Estado que o tucano governou até este ano. Em comício em Campinas, Lula acusou o governo paulista de esconder a qualidade de seu ensino, pôs em dúvida realizações anunciadas por Alckmin e bateu no ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, desfiando números para tentar mostrar que seu governo foi melhor.

Depois afirmou: "Governar um país não é uma questão de ter diploma, governar um país é uma questão de sensibilidade." E disse que para governar um país é preciso "um pouco de inteligência", mas principalmente "muito coração". "Não dá para governar o País apenas com números. O povo não é número."

Segundo Lula, São Paulo foi o único Estado a não fazer a avaliação nacional do ensino fundamental. "No Brasil, até eu entrar no governo, não tinha uma prova para avaliar os alunos. Fizemos a prova em 41 mil escolas e para 3,6 milhões de alunos. São Paulo não se inscreveu. Foi o único Estado que não fez a prova", afirmou a um público de mais de 5 mil pessoas, no Largo do Rosário, num dos maiores comícios desta campanha.

"Possivelmente porque não quisessem que soubéssemos como está a qualidade do ensino fuamental em São Paulo", disse Lula. O presidente lembrou que no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) São Paulo ficou em 8º lugar. "É o Estado mais rico que está no 8º lugar da educação", alfinetou.

Lula disse que 82% dos estudantes de São Paulo estão em escolas privadas e acusou o PSDB de não governar para os pobres. "Certamente os lugares que o outro governo freqüentava não tinham pobres. Imaginavam: para que escola pública, se só tem rico no País?", ironizou. "Devem pensar assim: 'Todo jantar que vou só tem rico, todo almoço que vou só tem rico. Vamos criar escola particular, porque todo mundo pode pagar.' Não sabem que a maioria da população é pobre." Seu governo, afirmou, prioriza a educação porque "só ele sabe a diferença que faz" não poder estudar.

No discurso, o presidente contou que recentemente leu um livro sobre os presidentes da República e disse que pode não ser tão inteligente nem ter lido tantos livros, mas só ele compreende a alma do povo. "Duvido que somando todos (os ex-presidentes), eles entendam mais da alma do povo brasileiro do que eu", gabou-se.

CASAS

As provações aos tucanos prosseguiram. Para o presidente, se o Estado complementasse recursos para habitação, saneamento básico e ensino superior, os paulistas teriam indicadores melhores. "Outro dia vi meu adversário dizendo que fez 200 mil casas em São Paulo. Eu não tenho os dados, mas desconfio que quem financiou as casas foi a Caixa Econômica Federal", ironizou. "A Caixa investiu no Estado, nesses três anos de governo, R$ 7,5 bilhões, atendendo 388 mil famílias. Como ele só mostrou 200 mil, deve ter sido tirado dessas 388 mil."

O presidente encerrou o discurso dizendo que há muito a fazer na campanha e que não quer só se reeleger, mas também derrotar seu adversário em Campinas. No palanque, Lula recebeu apoio do prefeito da cidade, Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio. Ele é do PDT, que não compõe a base de apoio e tem candidato próprio ao Planalto, o senador Cristovam Buarque (DF).