Título: Ganhos da Planam dispararam em 2004
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Fonte: O Estado de São Paulo, 29/07/2006, Nacional, p. A5

A Polícia Federal entregou ontem à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas documentos segundo os quais a Planam - empresa-mãe no esquema de fraude na compra de ambulâncias superfaturadas com dinheiro do Orçamento da União - teve crescimento considerável no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso e durante o de Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com a PF, o esquema de fraudes nas licitações foi montado em 1999 e começou bem pequeno, numa empresa familiar. Em 2000, a Planam teve uma movimentação de R$ 229,12 mil; em 2001, de R$ 196,58 mil; em 2002, R$ 3,46 milhões. Esse crescimento no último ano do governo Fernando Henrique, de acordo com integrantes da CPI dos Sanguessugas, ocorreu por causa do caixa 2 dos candidatos.

Em 2003, a Planam movimentou um pouco menos: R$ 3,19 milhões. Já em 2004, houve um crescimento vertiginoso na movimentação da empresa, de R$ 21,2 milhões e, em 2005, R$ 14,4 milhões. Esse estouro, ainda de acordo com integrantes da CPI, ocorreu porque certamente muitos dos que fizeram caixa 2 no esquema das ambulâncias se elegeram e cooptaram outros participantes. Como o esquema foi mantido, principalmente no Ministério da Saúde, a Planam cresceu e gerou outras empresas.

Também de acordo com dados da CPI dos Sanguessugas, a empresa-filhote Enir EPP movimentou R$ 705 mil em 2001, R$ 2,9 milhões em 2002 e R$ 2,1 milhões em 2003. A Klass, criada em 2002, começou com R$ 9,2 milhões e logo no ano seguinte pulou para R$ 18,6 milhões. A Santa Maria, outra empresa de Darci Vedoin utilizada no esquema de fraudes, movimentou R$ 456 mil em 2000; disparou para R$ 10,4 milhões em 2001 e chegou a R$ 28,9 milhões em 2002 e R$ 24,5 milhões em 2003, de acordo com dados que estão com a CPI.