Título: Área das fraudes era dividida por acordo
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Fonte: O Estado de São Paulo, 29/07/2006, Nacional, p. A5
Com negócios fraudulentos em 22 Estados, a Planam, empresa-líder da máfia dos sanguessugas, só não atuava em Minas, terra do ex-ministro da Saúde Saraiva Felipe. Minas, segundo depoimento de Luiz Antônio Vedoin à Justiça Federal, era território da Leal Máquinas.
De acordo com investigações da Polícia Federal, compartilhadas por integrantes da CPI, a Leal Máquinas seria uma empresa do esquema de uso exclusivo do PMDB mineiro. A PF investiga a relação especial do deputado Cabo Júlio (PMDB-MG) com a Leal Máquinas, além das emendas propostas pelo ex-ministro.
No depoimento, Vedoin, como se narrasse uma repartição da geografia típica dos mafiosos, disse que firmara um contrato com Aristóteles Gomes Leal Neto, dono da empresa mineira, onde se comprometia a não "adentrar no mercado de Minas Gerais".
O contrato abrangia, também, um compromisso de "empréstimo" do nome da Planam para que a Leal Máquinas montasse licitações fajutas em Minas. De acordo com a legislação, algumas licitações exigem que mais de uma empresa apresente propostas ao município beneficiado pela emenda. "Foi realizado, então, um acordo pelo qual as empresas do esquema dariam cobertura para a empresa de Aristóteles em Minas", disse Vedoin.
Segundo levantamento da ONG Contas Abertas, o então deputado Saraiva Felipe apresentou, em 2003, 2004 e 2005, três emendas para a compra de ambulâncias em municípios de Minas, no valor total de R$ 829,6 mil.
Em 2003, Saraiva fez uma emenda no valor de R$ 150 mil. No ano seguinte, a emenda era de R$ 315 mil, mas o valor empenhado foi de R$ 180,8 mil. Esse total foi divido entre convênios para cinco municípios mineiros, os quais especificam a compra de "unidades móveis de saúde". Em 2005, o ex-ministro apresentou ao Congresso sua emenda de maior valor, R$ 600 mil. Para comprar, de novo, ambulâncias.