Título: Bush e Blair propõem força de paz
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Fonte: O Estado de São Paulo, 29/07/2006, Internacional, p. A16

O presidente dos EUA, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, chegaram a um acordo ontem para propor à ONU o envio de uma força multinacional ao sul do Líbano, como parte de um conjunto de medidas para pôr fim ao conflito entre Israel e o grupo xiita Hezbollah. Ontem a guerra completou 17 dias. A proposta consiste no retorno, hoje, da secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, ao Oriente Médio; reuniões na ONU, a partir de segunda-feira, para discutir a formação de uma força multinacional para envio ao sul do Líbano; e apresentação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU, no fim da próxima semana, definindo os termos para o fim das hostilidades.

Condoleezza se reunirá com o governo israelense e o libanês (do qual o Hezbollah faz parte). Sua missão será buscar um acordo para o texto da resolução que EUA e Grã-Bretanha pretendem propor, com base num capítulo da Carta da ONU que prevê sanções ou uso da força se não for cumprida.

Ao lhe perguntarem se a força de paz iria "impor" ou "policiar" o cessar-fogo, Blair admitiu que a propsota só funcionará se o Hezbollah o aceitar. "O Hezbollah tem de avaliar. Se forem contra, não estarão só prestando um desserviço ao povo do Líbano, mas novamente ficarão diante do fato de que uma ação terá de ser tomada contra eles", respondeu Blair. Ficou claro mais uma vez que Blair e Bush endossam a posição de Israel e não pressionarão por um cessar-fogo incondicional, como defendem líderes europeus e árabes. Seu objetivo principal é fazer com que o Exército libanês passe a patrulhar o sul, fronteira com Israel - hoje controlado pelo Hezbollah -, e que o grupo seja desarmado, conforme resolução do Conselho de Segurança de 2004.

O Washington Post observou que a proposta não responde às perguntas "como fazer isso, quando e com que tropas estrangeiras". Além disso, Israel insiste que só porá fim aos bombardeios e a seu plano de criar uma zona de segurança no sul do Líbano se o Hezbollah libertar os dois soldados israelenses que capturou no dia 12, recuar da fronteira e for desarmado.

Já o Hezbollah - que deu origem ao conflito ao invadir Israel e capturar os dois militares - é taxativo: só vai soltá-los se os israelenses libertarem os libaneses capturados em 18 anos de ocupação no Líbano (encerrada em 2000). Diplomatas europeus avaliam que é mínima a perspectiva de trégua próxima.

CONDOLEEZZA NO LÍBANO

O Hezbollah aceitou na semana passada que o governo do país negocie a questão. Ontem o gabinete libanês se reuniu para definir um pacote de propostas a ser entregue a Condoleezza. Segundo funcionários, o Hezbollah aceitou uma força de paz no sul e a promessa de desarmar-se no futuro. Mas o pacote também incluiria trégua imediata, troca de prisioneiros com Israel e retirada israelense de Fazendas de Shebaa, pequena área síria cedida ao Líbano e ocupada por Israel desde 1967.

Blair e Bush disseram que qualquer plano de paz duradouro tem de contemplar "antigas disputas regionais" e seu objetivo é aproveitar a oportunidad para uma mudança ampla na região. Eles voltaram a acusar a Síria e o Irã de patrocinar o terrorismo internacional. "Minha mensagem para a Síria é: torne-se um participante ativo pela paz na vizinhança."