Título: Incentivado por ACM, Alckmin ataca 'corrupção e autoritarismo' do governo
Autor: Christiane Samarco
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/09/2006, Nacional, p. A8

O candidato da coligação PSDB-PFL a presidente, Geraldo Alckmin, reuniu-se ontem com cerca de 280 prefeitos baianos e mais 70 prefeitos de outros Estados do Nordeste mobilizados para impulsionar sua candidatura na reta final da campanha e garantir o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entusiasmado diante de um auditório lotado por quase 2 mil pessoas, Alckmin criticou a corrupção e o 'viés autoritário' do governo. Prometeu, ainda, aumentar os repasses da União para os municípios, caso seja eleito.

'Todo governo que tem corrupção é autoritário, porque precisa esconder os corruptores', atacou o presidenciável, ao destacar que o governo 'quer controlar a imprensa' e fez o mensalão para comprar deputados e 'submeter um Poder (Legislativo) a outro (Executivo)'.

Sentado ao lado do governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), que disputa a reeleição, Alckmin foi instado a atacar o adversário petista pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Ao anunciar o discurso do tucano, ACM disse que queria ouvi-lo no mesmo estilo do programa eleitoral do último sábado, na qual Alckmin não só apontara os erros e a corrupção do governo como dissera o que faria, fosse ele o presidente.

'Não podemos perder a capacidade de nos indignar diante do que está errado', afirmou o tucano, ao destacar que Lula ficou 'bravo' com suas críticas, quando deveria ter se incomodado com os fatos. 'Eu vou fazer o contrário de Lula', prometeu, sob aplausos da platéia, que tinha parlamentares federais e estaduais, vereadores e líderes políticos municipais.

Alckmin criticou 'a lista telefônica de corrupção do governo' e a centralização de recursos nas mãos da União, lembrando que Lula não só prorrogou como aumentou tributos que não são partilhadas com os municípios. Citou a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a Desvinculação das Receitas da União (DRU), a Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 'Só com a CPMF, foram mais R$ 30 bilhões não partilhados com as prefeituras.'

Ao final do discurso, ACM considerou que Alckmin poderia ter subido 'um pouquinho mais' o tom. 'Mas ele foi bem', avaliou o senador.

'Na reta final da campanha, os prefeitos são agentes fundamentais na caça aos votos, especialmente nas áreas onde Lula está mais forte', observou o coordenador-geral da campanha, senador Sérgio Guerra (PFL-PE).

A despeito da ausência do líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), inimigo de ACM, pelo menos cinco prefeitos do PSDB aliados de Jutahy participaram do encontro organizado pelo PFL.

'PETIZAÇÃO'

Em Teófilo Otoni (MG), Alckmin voltou a comentar a denúncia de que o Tribunal de Contas da União (TCU) apura o envolvimento do PT na distribuição de propaganda do governo. Ele classificou como uma 'promiscuidade' a relação entre o partido e o governo federal e disse que o País vive uma 'petização', referindo-se a um suposto aparelhamento do Estado.

'Essa petização do governo, esse aparelhamento do Estado é um atraso. Isso é um mau exemplo para a política, leva à ineficiência, à corrupção.'