Título: Coronel morreu sem reagir
Autor: Marcelo Godoy
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/09/2006, Metrópole, p. C1
O impetuoso coronel Ubiratan Guimarães morreu sem esboçar reação. A conclusão é dos peritos do DHPP que examinaram o corpo e o apartamento dele. Perto do local onde Ubiratan foi encontrado, havia uma TV e uma mesa com enfeites. Estava tudo em ordem, sinal de que ele não se debateu. Não havia nada fora do lugar nem marcas de luta.
O tiro, provavelmente de um revólver calibre 38, atingiu o coronel de cima para baixo e foi disparado de uma distância superior a 40 centímetros. Um dos revólveres 38 de Ubiratan não foi encontrado em seu apartamento e pode ter sido a arma do crime.
Tudo indica que o exame necroscópico apontará uma hemorragia interna como causa da morte. O tiro deve ter chegado ao fígado. Se foi assim, Ubiratan teve uma morte agônica. O exame também apontará se o coronel havia ingerido bebidas alcoólicas no sábado, o que pode explicar o fato de não ter reagido.Para a perícia, o tiro no abdômen indica que o assassinato não foi uma execução. Um profissional atiraria no peito ou na cabeça.
No momento do disparo, o coronel deveria estar se levantando do sofá. No orifício de entrada do tiro, havia pouco sangue devido à camada de gordura e pelo fato de o coronel estar de barriga para cima. Nas costas, havia uma poça de sangue.
A polícia decidiu não pedir exame residuográfico de Carla Cepollina, namorada do coronel, por entender que eventuais vestígios de pólvora em suas mãos já teriam se perdido. Foram colhidas impressões digitais em vários lugares do apartamento.