Título: Credores tentam retomar aviões hoje em NY
Autor: Mariana Barbosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/07/2006, Economia, p. B3
As empresas de arrendamento de aviões ficaram aliviadas com o leilão da Varig. Na prática, eles continuam sem a menor esperança de receber o dinheiro que a companhia lhes deve - mais de US$ 162 milhões, segundo o último levantamento disponível, de junho do ano passado. A razão do alívio, na verdade, é que depois de longas batalhas jurídicas no Brasil e no exterior as empresas acreditam que poderão retomar seus aviões.
"Há um conforto pela solução de um impasse, mas não tem ninguém feliz", disse um representante de uma empresa de leasing, que não quis se identificar. "Os arrendadores não têm nenhuma expectativa de receber seus créditos."
A prioridade para as companhias de leasing passou a ser a retomada dos aviões para poder alugá-los a outros clientes. Eles acreditam que, com o leilão, a Varig deixará de ser administrada pela Justiça e será mais fácil recuperar as aeronaves em ações judiciais no Brasil e no exterior.
A corrida para retomar os aviões recomeça hoje na Corte de Falências de Nova York. A expectativa dos arrendadores é que seja autorizada a devolução de 45 aviões. Pelo menos uma empresa , a ILFC, já conseguiu a devolução de quatro aeronaves, que já foram transferidas para a Europa. Hoje, a Varig tem 48 aviões parados, em manutenção, e 13 em atividade.
Parte dos aviões já está sendo preparada para ser devolvida. Segundo os advogados dos bancos US Bank e Wells Fargo, seus clientes estão trabalhando junto com a Varig na recolocação de peças para devolução de aviões e aceitam dar mais tempo para a empresa.
Nem todos os credores têm a mesma disposição. Os advogados da empresa japonesa Sojitz Corporation pedirão a devolução imediata de dois aviões e duas turbinas. Hoje, o equipamento está na empresa de manutenção VEM. Os advogados querem que a Varig dê instruções à VEM para a devolução e permita que funcionários da Sojitz "possam proteger os equipamentos de danos e pilhagens".
INFRAERO O presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, avaliou ontem que a venda da Varig para a VarigLog foi a melhor solução para os credores estatais da companhia. "Essa situação melhora muito a nossa perspectiva como credores da Varig", disse. "Ainda não posso dizer que se encerrou a novela, mas posso afirmar que se chegou ao penúltimo capítulo."
Os controladores da nova Varig, segundo o brigadeiro, levarão de 50 a 60 dias para começar a negociar com credores o pagamento das dívidas acumuladas a partir de junho do ano passado, quando entrou em processo de recuperação judicial. De acordo com o brigadeiro, a Infraero continuará cobrando da Varig antecipadamente o pagamento das tarifas de embarque pagas pelos usuários. Desde 30 de junho, a companhia está recolhendo as tarifas no dia anterior aos vôos.