Título: Planalto vê golpismo na oposição
Autor: Sônia Filgueiras, Expedito Filho
Fonte: O Estado de São Paulo, 14/09/2006, Nacional, p. A4

Preocupado com o bombardeio que está recebendo desde a divulgação de que o Tribunal de Contas da União considerou irregular a distribuição de cartilhas do governo pelo PT, o Palácio do Planalto designou ontem o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, para responder, mais uma vez, à hipótese de abertura de um processo de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A possibilidade foi levantada pelo presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE).

'Essa visão que está sendo colocada por alguns líderes tucanos e pefelistas de restabelecer qualquer diálogo a respeito de um impeachment é golpista, é atitude desqualificada de quem está perdendo as eleições', reagiu o ministro. Na avaliação de Tarso, a oposição quer já deslegitimar o próximo governo, a partir do reconhecimento de que já teria perdido a eleição.

'Como eles acham que já perderam a eleição, estão profundamente divididos, começam a articular um ranço udenista, golpista, desqualificado, que se volta contra a soberania popular que vai ser exercida nas urnas', afirmou Tarso. 'Eles que percam a esperança de que o governo vá aceitar esse tipo de provocação ou que isso vá ter eco na população, no eleitorado brasileiro, que é maduro e suficientemente politizado e sabe escolher seus governantes.'

Ao mesmo tempo, assessores do PT foram atrás dos números de abertura de processos pelo TCU para defender o governo. De acordo com levantamento feito por eles, durante o governo Fernando Henrique, foram abertas 872 tomadas de contas especiais por ano em média. E só em 1998, último ano do primeiro mandato de Fernando Henrique, foram 2.518 processos.