Título: Grupo islâmico reage a discurso do papa e anuncia ataques a Roma
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Fonte: O Estado de São Paulo, 17/09/2006, Internacional, p. A19
CIDADE DO VATICANO - Por meio do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, o papa Bento XVI divulgou ontem uma carta na qual ¿lamenta¿ que trechos de seu discurso tenham soado ¿ofensivos à sensibilidade dos muçulmanos e tenham sido interpretados de modo não correspondente a suas intenções¿.
O texto, no entanto, foi considerado ¿insuficiente¿ por grupos islâmicos, como a Irmandade Muçulmana, que exigem um pedido de desculpas claro e pessoal de Bento XVI. Pouco antes da divulgação da nota, o grupo radical islâmico iraquiano Khaiech al-Mujahedin jurou lançar ataques contra Roma e o Vaticano, em resposta às palavras de Bento XVI sobre o Islã e a jihad (guerra santa).
¿Juramos destruir sua cruz no coração de Roma. E que o Vaticano será golpeado e chorado por seu papa¿, anunciou o grupo, num comunicado divulgado na internet. A facção também criticou ¿os cristãos `sionizados¿ e os cruzados cheios de ódio¿ e qualificou Bento XVI de ¿cão dos cruzados¿.
¿Estas declarações não são um pedido de desculpas¿, disse, por seu lado, o dirigente da Irmandade Muçulmana Abdel Moneim. ¿O Vaticano se limita a afirmar que as palavras do papa foram mal-interpretadas, mas não houve nenhuma má interpretação aqui. O papa deve reconhecer seu erro e pedir desculpas.¿
A polêmica teve início na terça-feira, quando Bento XVI usou uma referência ao imperador bizantino Manuel II Paleólogo, do século 14, para quem Maomé coisas más e desumanas, ¿como defender a fé pela espada¿.
O mundo muçulmano reagiu com vigor e alguns de seus líderes compararam o papa a Hitler. Em Havana, onde participava da Cúpula dos Não-Alinhados, o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, reagiu às palavras de Bento XVI afirmando que ¿ninguém pode transmitir uma mensagem distorcida do Islã¿.