Título: Sai um radical, entra um moderado no ministério
Autor: Agnaldo Brito
Fonte: O Estado de São Paulo, 17/09/2006, Economia, p. B1
Para os padrões do governo Evo Morales, o novo ministro dos Hidrocarbonetos, o economista Carlos Villegas Quiroga, é tido como moderado. Ganhou espaço no governo como um político que tem disposição maior para o diálogo. Ele fazia parte da comissão ministerial responsável pelas negociações com as empresas petroleiras.
Foi com o esforço de Villegas que a Bolívia conseguiu fechar um acordo inédito com a companhia de aço indiana Jindal Steel. Depois de adiar várias vezes a conclusão da licitação, Villegas concluiu o processo de concessão para exploração das reservas de ferro da jazida de Mutún, localizada na Província de Gérman Busch, próxima a Corumbá (MS), na fronteira com o Brasil.
O longo processo de negociação tinha como objetivo elevar a participação do Estado no negócio, mesmo sem a participação financeira no projeto. O processo, embora lento, deu resultado. A Bolívia obteve o direito de metade dos lucros que serão obtidos com a produção e venda de minério de ferro e produtos siderúrgicos na região.
Villegas, que ocupava até agora o cargo de ministro do Planejamento, teve uma importante participação na formação política do atual presidente. Ele foi professor de economia de Evo Morales e também foi o assessor econômico do presidente no período eleitoral e nas viagens internacionais.
Como acadêmico, Villegas fundou em 1985 o Centro de Estudos para o Desenvolvimento Laboral e Agrário (CED-LA). Entre 1996 e 1999 ocupou a direção e lecionou na pós-graduação do Departamento de Ciências do Desenvolvimento da Universidade de San Andrés. Desde 1986 é professor da cadeira de economia da universidade.