Título: Empresa de Freud recebeu dinheiro de agência que abastecia valerioduto
Autor: Sônia Filgueiras
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/09/2006, Nacional, p. A8
Ex-assessor e segurança do presidente da República, Freud Godoy também manteve relações comerciais com o publicitário Marcos Valério, acusado de ser o principal financiador do esquema do mensalão. A Caso Comércio e Serviços Ltda., de propriedade de Freud, recebeu R$ 98,5 mil da SMPB Comunicação Ltda., empresa de Valério apontada com uma das alimentadoras do valerioduto.
Na contabilidade da SMPB, entregue pelo próprio publicitário mineiro à CPI dos Correios, consta o repasse, de 20 de janeiro de 2003, em favor da Caso Comércio e Serviços - que também prestou serviços na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. A CPI investigou o pagamento de propina a parlamentares da base aliada para garantir apoio ao governo no Congresso.
O banco de dados da CPI dos Correios mostra também que a empresa Duda Mendonça e Associados Ltda., do publicitário Duda Mendonça, fez repasses a outra empresa de Freud, a Caso Sistemas de Segurança Ltda - registrada em nome da mulher e do cunhado (leia abaixo). São três pagamentos, no total de R$ 22,8 mil, entre setembro e novembro de 2004, período que coincide com a eleição municipal daquele ano. Marqueteiro de Lula, Duda também apareceu no escândalo do mensalão.
Freud demitiu-se do cargo de assessor especial da Secretaria Particular da Presidência após ser apontado como suspeito de participar do esquema para compra de dossiê do empresário Luiz Antônio Vedoin destinado a tentar vincular candidatos tucanos ao esquema da máfia dos sanguessugas.
ELO
A SMPB, detentora de diversos contratos de propaganda com o governo, foi apontada como uma das principais fornecedoras de recursos do valerioduto, cuja existência foi confirmada pela CPI e pelo Ministério Público Federal. Era dali que saía a mesada paga a parlamentares que votavam com o governo.
Os trabalhos da CPI dos Correios revelaram que a propina também cobriu despesas de integrantes do próprio PT e provinha de uma triangulação que envolvia dinheiro do Banco Rural e contratos de propagada que Valério mantinha com o governo.
A condição de Freud como antigo militante e prestador de serviços ao PT é conhecida. O que não se sabia era da existência de um vínculo com o publicitário Marcos Valério.
Na contabilidade da SMPB, o repasse de R$ 98,5 mil, realizado 20 dias após a posse de Lula, está registrado como referente à execução de serviços de 'ass. (possivelmente assessoria) geral reestruturação adm (possivelmente administrativa)', embora, ao que se saiba, a especialidade de Freud seja a segurança e, em seus registros junto à Receita Federal, informasse como atividade principal o comércio varejista.
Procurado, o advogado de Valério, Marcelo Leonardo, informou que a despesa pode estar associada ao pagamento de despesas de algum evento. Ele ficou de confirmar hoje.
VALORES
Além do tipo de despesa, chama a atenção o valor, bem superior a alguns pagamentos feitos pelo PT por serviços de segurança prestados por empresas de Freud. A contabilidade oficial do partido informa, por exemplo, que o PT pagou R$ 13,6 mil a Freud para fazer a segurança em um evento comemorativo do 24º aniversário do partido, no Hotel Glória. Pela prestação de serviços naquela reunião do Diretório Nacional do partido, nos dias 17 e 18 de abril de 2004, as empresas de Freud receberam R$ 4,6 mil.