Título: Corregedor eleitoral abre investigação contra Lula e Bastos
Autor: Mariângela Gallucci
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/09/2006, Nacional, p. A12

O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Cesar Rocha, decidiu ontem abrir uma investigação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), o ex-assessor da Presidência Freud Godoy (afastado anteontem do cargo), o empresário Valdebran Padilha e o advogado Gedimar Passos.

Aberta a pedido da coligação formada por PSDB e PFL, a investigação tem o objetivo de apurar a suposta participação de cada um no episódio do dossiê Vedoin.

Se ficar comprovado o envolvimento de Lula, o presidente pode até ser declarado inelegível.

Em despacho de apenas quatro páginas, o corregedor determinou à Polícia Federal que realize perícia em dez dias no 'numerário encontrado, especialmente as divisas norte-americanas, inclusive quanto à sua numeração, para saber de sua proveniência e época de confecção'.

No dia 15, foram apreendidos com Valdebran e Gedimar US$ 248,8 mil e R$ 1,168 milhão. Há evidências de que o dinheiro seria usado para comprar fotos e documentos que supostamente vinculariam José Serra e Geraldo Alckmin ao esquema sanguessuga.

'Tenho, pelo menos nessa primeira análise, por inegável a repercussão dos fatos narrados na inicial no processo eleitoral em curso', afirmou o corregedor, que mandou notificar Lula, Thomaz Bastos, Berzoini, Freud, Valdebran e Gedimar, que a partir de agora já podem apresentar defesa. Além da perícia no dinheiro apreendido, Rocha pediu cópia integral do inquérito policial relativo ao episódio. O corregedor também determinou à Polícia Federal que mantenha o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informado sobre o resultado das diligências e investigações.

No pedido protocolado anteontem no TSE, o PSDB e o PFL acusam os petistas de abuso de poder político e econômico. Segundo a coligação, Thomaz Bastos teria agido para que fosse dado tratamento privilegiado aos interesses eleitorais de Lula em detrimento de Alckmin. Na opinião da coligação, a PF teria agido de forma parcial e dado tratamento privilegiado a Lula ao não permitir imagens do dinheiro apreendido.

A coligação argumenta que Berzoini, Valdebran e Gedimar teriam atuado para obter o material do dossiê. De acordo com a coligação, Lula seria, 'no mínimo, beneficiário das condutas dos demais.' 'No entanto, o envolvimento de membro de sua secretaria particular, ao que se diz de seu guarda-costas Freud Godoy, denota o seu possível envolvimento pessoal', sustenta a coligação.