Título: Meta é elevar taxa de investimento a 25%
Autor: Sérgio Gobetti, Vera Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/08/2006, Nacional, p. A5
A elevação da taxa de investimento do País para 25% do Produto Interno Bruto (PIB) é a única meta quantitativa incluída no programa de governo do presidente Lula. Apelidada pela cúpula do PT de ¿proposta mãe¿, por ser considerada pré-requisito para um ritmo mais acelerado do crescimento econômico, a medida também corre o risco de ter o mesmo destino das demais promessas de 2002 e depende muito mais do setor privado do que do público.
Atualmente, o Brasil convive com uma taxa de investimento da ordem de 20% do PIB, o que inclui tanto os investimentos públicos quanto privados. No ano passado, foram R$ 386 bilhões, dos quais os governos (federal, estaduais e municipais) e as empresas estatais responderam por cerca de R$ 65 bilhões, ou 17% do total.
A última vez que o Brasil conseguiu investir mais de um quarto das suas riquezas foi em 1989, quando a taxa de investimento chegou a 26,86% do PIB. Desde o início do Plano Real, ela nunca passou dos 21% e chegou a cair abaixo de 18% em 2003.
De acordo com a cúpula petista, as estatais e os bancos públicos deverão ser utilizados para tentar alavancar os investimentos e induzir os empresários a fazerem o mesmo.
¿Não queremos ficar vítima de especulação com os números¿, disse Lula, ao justificar a decisão de não usar metas quantitativas no seu programa.
Em 2002, Lula disse que era preciso criar 10 milhões de empregos, e essa meta acabou entrando em sua propaganda eleitoral com destaque de promessa. Três anos e meio depois, o governo do PT só conseguiu gerar pouco mais de 4 milhões de empregos formais.
Na reforma agrária, o programa petista de quatro anos atrás falava em assentar 400 mil famílias. Até 2005, 245 mil famílias haviam recebido seu pedaço de terra.
Para o próximo mandato, o programa não assume mais compromissos desse tipo para evitar futuras comparações e cobranças. ¿O programa é bem concreto, e a concretude não necessariamente reside nos números. Os números muitas vezes podem ser danosos¿, argumentou o coordenador de programa, Marco Aurélio Garcia.
Na área econômica, enquanto em 2002 o PT prometia perseguir um crescimento de 7% ao ano, agora só fala que é preciso um ritmo ¿mais acelerado - bem acima dos níveis atuais¿. Quanto à taxa de juros, o documento fala em continuidade da queda, mas também não diz quanto nem quando.
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