Título: Conselho de Ética do Senado ouvirá empresários
Autor: Eugênia Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/08/2006, Nacional, p. A12
Os relatores do Conselho de Ética do Senado vão ouvir na próxima terça-feira os acusados de comandarem a máfia dos sanguessugas. Vão depor no Senado os empresários Luiz Antônio Trevisan Vedoin, seu pai, Darci Vedoin, e um dos principais integrantes do grupo, Ronildo Medeiros. Os depoimentos em princípio serão abertos e, se for o caso, poderão se estender até o dia seguinte. O anúncio foi feito ontem pelo presidente do conselho, senador João Alberto de Souza (PMDB-MA), depois de conversar com Jefferson Péres (PDT-AM), Demóstenes Torres (PFL-GO) e Paulo Octávio (PFL-DF), relatores, respectivamente, dos processos contra os colegas acusados pela CPI dos Sanguessugas: Ney Suassuna (PMDB-PB), Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MT).
João Alberto chegou a dizer que não acreditava no depoimento de ¿bandidos¿, logo que foi encarregado de levar os processos adiante. Criticado, ele recuou e agora assegura que cabe aos Vedoin e ao outro envolvido orientarem os trabalhos dos relatores. Eles destacou que partiu dos empresários a ¿maior¿ parte das informações obtidas pela CPI dos Sanguessugas e no inquérito conduzido pela Polícia Federal.
Também serão ouvidos pelo conselho, provavelmente na quarta-feira, o presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), e o deputado Lino Rossi (PP-MT). Biscaia vai falar sobre as acusações a Suassuna, inclusive a de que teria ouvido dele a informação de que ¿todo mundo tira uma beirada das emendas¿. Já Lino será inquirido sobre o suposto empréstimo a Magno Malta de um carro pertencente a Planam - de propriedade dos Vedoin -, principal empresa do esquema.
Na próxima semana, serão interrogados o genro da senadora Serys, cuja conta teria sido utilizada para receber a propina pelas emendas da compra de ambulância, segundo Luiz Antônio Vedoin. E o ex-assessor de Suassuna, Marcelo Carvalho, que chegou a ser preso quando a quadrilha foi desbaratada, em maio. Todos eles serão convidados. Se recusarem, João Alberto lembrou que poderão ser ¿convocados¿ mediante a aprovação de um requerimento no plenário.
Os depoimentos praticamente derrubaram o calendário inicial que previa o encerramento dos trabalhos do conselho até o fim de setembro. Para os relatores, qualquer previsão é temerária, já que a pressa poderia impedir a requisição de documentos essenciais à investigação.
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