Título: CPI vai investigar mais 3 acusados por Vedoin
Autor: Eugênia Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/08/2006, Nacional, p. A12
Vinte dias depois de aprovar relatório parcial com a recomendação para cassar 69 deputados e 3 senadores, a CPI dos Sanguessugas notificou ontem mais três congressistas acusados de envolvimento na compra superfaturada de ambulâncias com Orçamento da União por meio de emendas parlamentares: o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) e os deputados Salvador Zimbaldi (PSB-SP) e Philemon Rodrigues (PTB-PB). ¿A notificação significa que serão investigados, não que estão no rol dos cassáveis¿, afirmou o presidente da comissão, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ).
Os três parlamentares tinham conexão com a fraude, segundo os empresários Luiz Antônio e Darci Vedoin, donos da Planam, principal empresa do esquema. A cúpula da CPI decidiu notificar os três sob a alegação de que os empresários apresentaram à Justiça indícios de que receberam vantagem para apresentar emendas à compra superfaturada de ambulâncias.
A CPI isentou outros quatro deputados também acusados por Luiz Vedoin de envolvimento na fraude: Ricardo Izar (PTB-SP), Ciro Nogueira (PP-PI), Luiz Piauhylino (PDT-PE) e José Múcio Monteiro (PTB-PE). ¿Não basta que o parlamentar tenha emendas que foram parar no esquema. É preciso mais evidências¿, disse Biscaia, ao afirmar que, ¿por hora, o caso está encerrado¿.
Luiz Vedoin disse que o senador Antero negociou R$ 40 mil de propina, por intermédio do deputado Lino Rossi (PP-MT). Antero negou as acusações e ontem veio às pressas de Mato Grosso, onde disputa o governo do Estado, para apresentar sua defesa à CPI.
Darci Vedoin acusou Zimbaldi e Philemon de terem acertado propina de 10% em relação ao valor das verbas do orçamento que direcionariam, por meio de emendas, para que as prefeituras comprassem da quadrilha ambulâncias e equipamentos hospitalares superfaturados.
Philemon atribuiu a notificação a perseguição do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). Disse que os donos da Planam nunca o procuraram e que entregou à CPI documentos nos quais os Vedoin teriam afirmado à Polícia Federal que não fizeram negócios com ele. Zimbaldi não foi encontrado para comentar a acusação.