Título: Mercadante diz que não autorizou negociação
Autor: VANNILDO MENDES, FAUSTO MACEDO E SÉRGIO GOBETTI
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/09/2006, Nacional, p. A7

A três dias da eleição, o candidato do PT ao governo paulista, senador Aloizio Mercadante, fez o possível para tentar reverter o abalo criado pelo envolvimento do ex-coordenador de comunicação de sua campanha, Hamilton Lacerda, no caso do dossiê Vedoin. Ontem, diante da informação de que Lacerda teria entregue aos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha o dinheiro para a compra do dossiê, Mercadante disse estar vivendo 'um pesadelo' em sua campanha e em sua vida.

Mercadante fez um apelo à imprensa e à opinião pública para que acreditem que nunca deu seu consentimento para a negociação do material, que tinha por objetivo prejudicar o rival tucano José Serra.

'Eu peço a vocês da imprensa e especialmente ao povo de São Paulo um voto de confiança', disse o senador, acrescentando que o fato de nunca ter sido alvo de denúncias em 30 anos de vida pública serve como garantia de que jamais se envolveria em um episódio como esse. 'Será uma total injustiça se eu for prejudicado nesta eleição', acrescentou o candidato.

O senador pediu ainda que a Polícia Federal (PF) conclua a investigação o mais depressa possível, preferencialmente antes das eleições do próximo domingo. 'Aí, eu afastaria definitivamente esse pesadelo que existe na minha vida e na minha campanha neste momento.'

Lacerda, que já havia sido apontado como integrante das negociações com a revista IstoÉ para divulgar o dossiê, foi apontado anteontem pela PF como o responsável pela entrega do dinheiro. O ex-assessor de Mercadante teria dado a Gedimar e Padilha uma mala com o dinheiro, em um encontro no Hotel Ibis, em São Paulo.

Mercadante negou que tenha conversado com Lacerda desde que o afastou da campanha, no último dia 20. O senador afirmou que, desde então, não tentou se comunicar nenhuma vez com o ex-assessor para pedir explicações e apurar o que realmente ocorreu no episódio do dossiê. 'Não tentei porque acho que houve uma quebra de confiança', afirmou o petista. 'Ele se afastou totalmente da campanha e nós não temos nenhum tipo de contato.' O senador ressaltou que sua equipe não possui os instrumentos para investigar internamente o caso e repassou à PF a tarefa de conduzir a apuração.

ESPERANÇA

Mercadante voltou a reconhecer que o caso do dossiê já prejudicou sua campanha ao governo paulista. Mesmo assim, ele insistiu que ainda vê chances de chegar ao segundo turno da eleição paulista, já que, mesmo em meio a denúncias, seu nome cresceu nas últimas pesquisas de intenção de voto. 'Apesar de tudo isso, mais uma vez eu cresci', afirmou o senador.

Na pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira, Mercadante havia oscilado um ponto para cima, alcançando 24% das intenções de voto. O tucano José Serra, favorito na corrida, subiu de 48% para 51%, confirmando as chances de uma vitória no primeiro turno.