Título: Lacerda levou dinheiro para dossiê
Autor: VANNILDO MENDES, FAUSTO MACEDO E SÉRGIO GOBETTI
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/09/2006, Nacional, p. A7
O ex-coordenador de comunicação do PT paulista Hamilton Lacerda será interrogado hoje de manhã na Superintendência da Polícia Federal da capital pelo delegado Diógenes Curado e pelo procurador da República Mário Lúcio Avelar. Ele foi identificado como o homem que levou uma mala de dinheiro para os petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, presos dia 15 no Hotel Íbis, em São Paulo.
A PF já tem indícios de que há outro mensageiro de dinheiro e à tarde interrogará Freud Godoy, ex-secretário especial do presidente Lula, apontado nas investigações como responsável por levantar fundos para a compra do dossiê Vedoin.
O Instituto Nacional de Criminalística, de Brasília, faz a perícia das imagens internas do Íbis e divulgará o laudo definitivo quarta-feira. Mas a PF já está convencida de que Hamilton é o elo que faltava para ligar o PT ao dinheiro. Ele é identificado como o homem grisalho, aparentando 45 anos, que chegou depois das 9 horas do dia 14 no hotel. Tenso, ele carregava com cuidado uma maleta preta de viagem, de náilon, com a alça em volta do ombro esquerdo.
Hamilton aparece circulando com ela no lobby, depois no corredor do quarto onde Gedimar estava hospedado. As cenas seguintes mostram sua saída do quarto, sem a maleta, e Gedimar, com a maleta, indo até o restaurante do hotel.
Gedimar confessou à PF que foi designado pela cúpula do PT para conferir a autenticidade e o potencial do dossiê contra o candidato tucano ao governo paulista, José Serra. Braço direito do candidato Aloizio Mercadante (PT), Hamilton deve ser indiciado e ter seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrado. O Ministério Público também estuda pedir sua prisão temporária, como fez com os outros seis petistas envolvidos no caso, embora a PF considere a medida inócua por enquanto.
Instantes depois da prisão de Gedimar e Valdebran, foi preso no aeroporto de Várzea Grande (MT), na mesma operação, o empresário Paulo Trevisan, tio de Luiz Antônio Vedoin, cabeça da máfia dos sanguessugas. Ele ia ao encontro dos dois petistas e levava uma pasta azul, contendo o dossiê. Na outra mão, carregava uma maleta preta de náilon, vazia, igual à que Hamilton entregara a Gedimar. A PF acredita que era para fazer uma troca.
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