Título: Secretaria da Igualdade Racial sugere metas
Autor: Clarissa Thomé, Karine Rodrigues
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/10/2006, Vida&, p. A22
A subsecretária de Ações Afirmativas da Secretaria Especial da Igualdade Racial, Maria Inês da Silva Barbosa, disse que o primeiro passo para combater o 'racismo institucionalizado' no SUS é reconhecer o problema. E, a partir disso, estabelecer metas. 'Da mesma forma que estabelecemos um pacto pela redução da mortalidade no parto e neonatal em 15%, temos de fazer um pacto para reduzir essa mesma mortalidade entre negras em 30%. Porque nós sabemos que a mulher e o recém-nascido negros morrem mais.'
Maria Inês citou pesquisas apontando que as negras têm 20% menos chances de ter um exame ginecológico completo, se comparadas com mulheres brancas. No caso de câncer, negros são mais submetidos a medidas radicais, como extração de órgãos. 'São pessoas que não são tratadas. Os médicos dizem que isso não é generalizado, mas essas pesquisas apontam uma diferença de tratamento que precisa ser averiguada', afirmou. 'A situação no SUS reflete o que acontece na sociedade. É a mesma situação de quando alguém atravessa a rua ao ver um negro. Isso se repete quando essa pessoa está atendendo no hospital, mesmo que isso não ocorra de maneira consciente. É contra isso que estamos lutando', completou.