Título: PF ganha 30 Dias para concluir investigação
Autor: Eugênia Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/10/2006, Nacional, p. A4
A Justiça concedeu 30 dias para a Polícia Federal concluir a investigação sobre o dossiê Vedoin. O pedido de prazo foi feito pelo delegado Diógenes Curado, que preside o inquérito sobre a organização formada por quadros históricos do PT.
O delegado pediu autorização para realizar ¿novas diligências¿, o que inclui mandados de busca, depoimentos e novas quebras de sigilo telefônico e bancário de suspeitos.
Há 36 dias, a PF rastreia o caso do dossiê. O inquérito 623/06 foi aberto dia 18, três dias depois que caíram em São Paulo Gedimar Passos e Valdebran Padilha, de posse da bolada de R$ 1,75 milhão. O juiz Jefferson Scheinneder, da 2ª Vara Federal em Mato Grosso, concordou com a solicitação da PF, mas por formalidade encaminhou os autos à Procuradoria da República.
Mário Lúcio de Avelar, procurador federal que acompanha a investigação, manifestou-se favoravelmente pela concessão de mais tempo para que a PF continue a investigar a origem do R$ 1,75 milhão que os ex-dirigentes do PT pretendiam usar para comprar o dossiê contra políticos tucanos.
O delegado Daniel Lorenz, que comanda a PF em Mato Grosso, acredita que ¿ainda esta semana¿ poderá chegar à identidade dos sacadores dos US$ 248,8 mil que faziam parte da montanha de dinheiro encontrada dia 15 de setembro com Gedimar e Valdebran.
¿SORTE¿
Ele negou que a PF tenha colocado a investigação em banho-maria. ¿Estamos trabalhando intensamente. O delegado que preside o inquérito (Diógenes Curado) não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Esperamos ter mais sorte que nas semanas anteriores.¿
Lorenz reafirmou que ¿o tempo da investigação não obedece o calendário eleitoral¿. Ele garantiu que a PF quer chegar rapidamente à origem do dinheiro. ¿Evoluímos muito em relação a isso e esperamos ter resultados ainda esta semana¿, declarou, ontem à tarde, enquanto continha o suor do rosto com um lenço de pano.
Questionado sobre os passos da investigação, Lorenz reiterou. ¿Não posso dar o detalhamento, seria muito nocivo. Estamos buscando a verdade.¿
Sobre a provável convocação do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e do secretário particular do presidente Lula, Gilberto Carvalho, o delegado federal respondeu: ¿Dentro de um desdobramento lógico das investigações acredito que já se tenha uma cronologia de ações no inquérito com a possibilidade de novos depoimentos.¿
O chefe da PF lembrou que o relatório parcial entregue à Justiça na semana passada mostra que o dinheiro do PT não teve uma única fonte. Segundo Lorenz, a Polícia Federal ainda vai pedir novas autorizações judiciais para ter acesso a dados confidenciais de pessoas investigadas. ¿A polícia tem suas percepções na investigação. Aconteceram avanços significativos que nos permitirão determinar a fonte do dinheiro, pelo menos parcialmente.¿