Título: Parte do dinheiro do dossiê Vedoin veio do bicho, diz PF
Autor: Eugênia Lopes
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/10/2006, Nacional, p. A8

O delegado Diógenes Curado, da Polícia Federal, confirmou que parte do R$ 1,75 milhão destinado à compra do dossiê Vedoin teria origem no jogo do bicho. A informação é do vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, deputado Raul Jungmann (PPS-PE). ¿Mas o delegado disse que não tinha como dizer de qual banca de bicho era o dinheiro¿, afirmou Jungmann.

Ainda segundo o deputado, o relatório de Curado não vai trazer a informação de que o R$ 1,75 milhão saiu do PT. O delegado deverá, no entanto, afirmar que o dinheiro era de responsabilidade de militantes do partido. Jungmann conversou ontem, por telefone, com Curado. O relatório deverá ser entregue hoje ao juiz Jefferson Scheinneder, que cuida do inquérito sobre o dossiê em Mato Grosso.

¿Ele me disse que possivelmente um mal-entendido levou a se dizer que o dinheiro era de origem do PT. Que o dinheiro foi manipulado, transportado e é de responsabilidade de militantes do PT não resta nenhuma dívida¿, afirmou Jungmann.

Em um ofício anexado ao inquérito que pediu a quebra do sigilo telefônico de Gedimar Passos e Valdebran Padilha, presos em São Paulo com o dinheiro destinado à compra do dossiê, o delegado chegou a afirmar que havia provas de que o dinheiro teria vindo do PT, ¿porém os verdadeiros financiadores do `dossiê sanguessuga¿ não se apresentaram até o momento¿.

CORRETORAS

Além do jogo do bicho, o dinheiro para a compra do dossiê teria vindo de corretoras. Segundo Jungmann, também foram feitos saques de baixo valor, em várias agências bancárias, para evitar chamar a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Isso dificulta o rastreamento do dinheiro. Apesar das dificuldades, Jungmann está confiante de que as investigações da PF sobre a origem do dinheiro serão concluídas antes do segundo turno das eleições, no dia 29.

A nove dias do segundo turno das eleições, o presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), tenta evitar o uso político das investigações. Técnicos da CPI embarcaram ontem para Cuiabá a fim de obter uma cópia do relatório de Curado. Jungmann chegou a anunciar que iria a Cuiabá mesmo sem a autorização de Biscaia, mas acabou desistindo da viagem. ¿O que é importante e relevante é que os dados venham para cá¿, observou Jungmann.