Título: Polícia faz blitz em bingo no Rio
Autor: Sônia Filgueiras
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/10/2006, Nacional, p. A9
A Polícia Federal apreendeu no Bingo Grande Rio, em Duque de Caxias, na terça-feira, duas máquinas de calcular com fitas de papel, em busca da origem do dinheiro que compraria o dossiê Vedoin. Os 20 agentes da PF, porém, não acharam carimbos iguais aos das fitas que envolviam pacotes das notas apreendidas com os petistas. A gerente da loja, identificada como Kátia, não revelou o nome dos responsáveis e disse que ¿ninguém tem nada a falar enquanto laudos periciais não saírem dizendo alguma coisa¿.
Banqueiro do jogo do bicho que falou ao Estado sob garantia de anonimato disse que a PF não foi a outro ponto de aposta. ¿Pago 100 por 1 como não se achará dinheiro do bicho do Rio para a compra desse dossiê. No máximo, alguém pode ter feito doação a um político amigo, sem saber de dossiê nem que o dinheiro iria para São Paulo.¿ Em Caxias, o jogo é controlado por Antônio Soares. Em Campo Grande e Santa Cruz, bairros do Rio, quem vende apostas é a família Stábile. Ninguém se manifestou.
Entretanto, o grande líder do jogo é Antônio Petrus Kalil, de 82 anos, mais conhecido como Turcão. O banqueiro que falou ao Estado não acha provável que haja na política dinheiro dele, que é ¿mão fechada.¿ Também não é usual, disse, enrolar dinheiro com fitas de máquinas de calcular e é estranha a identificação de Campo Grande e Caxias nos pacotes de dinheiro. Mais ainda o fato de relacionarem o dinheiro a Turcão. Seus negócios ficam longe, em Niterói, São Gonçalo até Magé.
Apesar de existir a ¿descarga¿, processo pelo qual possíveis riscos de apostas altas são divididos, o dinheiro não muda de banca no dia-a-dia. Se o prêmio for ganho, ele é pago onde houve a aposta e o acerto com quem garantiu é feito de mês em mês. O dinheiro, por sua vez, não é recolhido nos pontos de aposta, mas, sim, nos bancos.