Título: Criação de empregos perde fôlego
Autor: Isabel Sobral
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/10/2006, Economia, p. B4

Os preparativos da indústria e do comércio para as festas de fim de ano ajudaram a aumentar a contratação de novos empregados com carteira assinada em setembro, mas os dados do governo mostram que o mercado de trabalho neste ano continua mais fraco do que no ano passado. Em setembro, foram criadas 176,7 mil vagas pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Em agosto, haviam sido criados 128,9 mil empregos.

Apesar de ter sido o nono mês consecutivo de resultado positivo, os dados de setembro mostram uma queda de 6,7% em relação a setembro de 2005, quando foram criadas 189,4 mil vagas. De janeiro a setembro deste ano, foram abertos 1,383 milhão de postos de trabalho, ante 1,408 milhão do mesmo período do ano passado - uma redução de 1,7%. Desde o início do governo Lula foram até agora 4.806.495 empregos, bem menos do que os 10 milhões prometidos em campanha.

Na avaliação do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o ritmo de criação de empregos formais pelo setor privado está desacelerando como reflexo da base mais alta de comparação a cada ano. Mas ele reconheceu que o baixo ritmo de atividade é um fator importante. 'Obviamente, é preciso acelerar o crescimento econômico para que sejam abertas ainda mais vagas. Por isso, para o ano que vem, esperamos um crescimento de pelo menos 5%', comentou.

A expectativa do ministro é que o saldo de 2006 fique semelhante ao de 2005: 1,253 milhão de novas contratações formais no setor privado. Nos últimos 12 meses, estão acumulados 1,229 milhão de postos. Ao somar as novas vagas do mês de setembro ao estoque de empregos formais já existentes, o Caged verificou em setembro uma expansão de 0,65% no número de postos de trabalho com carteira assinada no País.

O Caged é um cadastro mensal que registra informações das empresas sobre contratações e demissões. Ficam de fora dessa estatísticas os servidores públicos e os empregados domésticos.

COMÉRCIO E INDÚSTRIA

A alta do mês passado em relação a agosto mostrou o reflexo no mercado de trabalho dos preparativos do setor industrial e do comércio para as festas de fim de ano, quando tradicionalmente aumentam as vendas. A indústria liderou o movimento de abertura de vagas com 81,9 mil novas contratações. Em serviços, foram 54,5 mil novos postos e no comércio, 46,3 mil.

Segundo Marinho, setembro é o período de pico dessas admissões, que em sua maior parte são temporárias. Para outubro e novembro, é esperada uma redução no ritmo de novos empregos. Em dezembro, as demissões geralmente superam as contratações porque as indústrias e estabelecimentos comerciais fazem ajustes nas contas para iniciar o novo ano.

Em setembro, somente a agricultura demitiu mais que contratou. Foram eliminados 21,2 mil postos de trabalho por causa do período de entressafra do café, em Minas Gerais, mas esse motivo é sazonal. No entanto, foi a colheita - especialmente de cana-de-açúcar - que ajudou o Nordeste a criar 80,9 mil novos empregos formais, com destaque para Alagoas e Pernambuco. Em São Paulo, foram criados 50,3 mil vagas.