Título: Gás boliviano tem reajuste de 2,1%
Autor: Leonardo Goy, Agnaldo Brito
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/10/2006, Economia, p. B7

A Petrobrás anunciou ontem que o gás boliviano será reajustado em 2,1%, acompanhando a evolução do preço do petróleo no último trimestre. O aumento é retroativo a 1º de outubro, data do reajuste trimestral previsto em contrato. O aumento ainda não se refere à negociação entre a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) e a Petrobrás.

Segundo a estatal, o repasse para as distribuidoras será menor (1,48%), já que a parcela referente ao custo do transporte não foi alterada. Após o aumento, o gás importado passa a custar, para a estatal, US$ 3,76 por milhão de BTU, com alta acumulada de 26% em 2006. Para as distribuidoras, incluindo a tarifa de transporte, o preço vai a US$ 5,47 por milhão de BTU. O combustível importado da Bolívia abastece parte do Estado de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O repasse para o consumidor final depende da legislação de cada Estado.

O diretor de infra-estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Saturnino Sérgio, informou que a indústria espera para o próximo reajuste trimestral uma redução do preço, assim como indica o mercado internacional do petróleo. 'O que soubemos da Petrobrás é que a queda do preço do barril pegou parte do último trimestre. Como o efeito é posterior, o próximo anúncio da Petrobrás será de redução do preço', disse Sérgio.

A indústria paulista consome 10 milhões de metros cúbicos de gás por dia e aguarda cenário mais estável para desengavetar projetos de investimentos que utilizam o combustível.

CONJUNTURA

Em palestra no Rio ontem, o diretor-superintendente da Transportadora Brasileira do Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), Ricardo Salomão, disse que a crise entre governo da Bolívia e petroleiras estrangeiras é 'conjuntural' e será resolvida, permitindo a retomada dos investimentos.

'O problema na Bolívia é conjuntural. Pode levar um mês, um ano ou até três anos, mas a situação vai ser resolvida', afirmou Salomão, em palestra promovida pela Câmara Americana de Comércio. A TBG suspendeu, no início do ano, o processo de ampliação do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) a pedido dos interessados no processo, preocupados com a instabilidade regulatória do país vizinho. A idéia era elevar em 15 milhões de m3 por dia a capacidade do duto, de 30 milhões de m3.

No plano de investimentos da TBG constam US$ 65 milhões para aumentar a confiabilidade do duto, que está no limite. O Gasbol está transportando uma média de 27 milhões de m3 de gás natural por dia, devido a um problema técnico na Bolívia.