Título: Negociação entre Bolívia e Brasil é novamente adiada
Autor: Leonardo Goy, Agnaldo Brito
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/10/2006, Economia, p. B7
Foi adiada a reunião que estava marcada para segunda-feira, entre o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, e o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, em La Paz. A informação foi dada no início da noite de ontem, em comunicado conjunto dos dois ministros, divulgado pelo governo brasileiro.
Segundo a nota, o adiamento foi acertado entre os dois governos e tem como objetivo 'permitir que a YPFB e a Petrobrás disponham do tempo necessário para avançar na avaliação das propostas técnicas bilaterais em andamento'.
Técnicos do governo negaram que o adiamento da reunião teve relação com o fato de as eleições presidenciais brasileiras terem ido para o segundo turno. Ao longo da semana, circularam rumores de que o prazo para a conclusão das negociações com os bolivianos - que vence no fim deste mês - poderia ser adiado para não coincidir com o segundo turno das eleições brasileiras, que será realizado no dia 29.
O ministro Villegas negou essa informação na terça-feira e sustentou que o prazo para que as empresas estrangeiras assinem os novos contratos para a produção de petróleo e gás no País continuava o mesmo.
Na nota conjunta distribuída ontem, porém, os dois ministros não estabelecem uma nova data para a reunião. Eles apenas afirmam que esperam realizar o encontro 'no mais breve prazo possível'. Nessa reunião, os dois ministros tratariam de questões como a situação das refinarias da Petrobrás no país vizinho e dos contratos para exploração e produção de gás. A nota afirma ainda que a decisão de adiar a reunião 'favorecerá o bom encaminhamento das negociações em curso'.
QUESTÃO ELEITORAL
Apesar de negar, o Estado apurou junto a uma fonte diplomática que o governo brasileiro decidiu sim considerar o calendário eleitoral brasileiro como prioridade ao calendário de nacionalização dos hidrocarbonetos. 'A visita do ministro seria acompanhada de perto pela imprensa brasileira e as repercussões de uma reunião que tinha tudo para ser inconclusiva poderia não ser boa neste momento eleitoral.' Foi por isso que o governo brasileiro decidiu adiar o encontro sem data definida.
A Bolívia tem até o dia 28 para concluir a negociação dos contratos de exploração e produção de petróleo e gás. Segundo o governo Evo Morales, as petroleiras que não assinarem o contrato até esta data terão de deixar o País.
O governo brasileiro decidiu pagar para ver. 'Ninguém acredita que a Petrobrás será expulsa no dia 29 da Bolívia. O governo boliviano não terá uma atitude tão suicida', afirma a fonte. O ministro de Hidrocarbonetos boliviano já declarou que o governo aplicará o artigo 3º do decreto supremo de 1º de maio. O artigo exige que a companhia que não assinar o novo contrato até esta data terá de deixar o País.
A fonte afirmou que o comunicado conjunto distribuído no Brasil foi propositalmente vago em relação a nova data para o encontro. O governo brasileiro impôs dessa forma uma difícil decisão aos bolivianos: prorrogar o prazo final do decreto, assumindo o desgaste político interno ou manter e aplicar o artigo que exige expulsão das empresas, no caso a Petrobrás.