Título: 'Dirceu acusa Judiciário de fazer oposição a Lula
Autor: Luciana Nunes Leal
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/10/2006, Nacional, p. A9

O ex-ministro José Dirceu, deputado cassado por suspeita de comandar o esquema do mensalão, acusou ontem 'setores do Poder Judiciário, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do TCU (Tribunal de Contas da União)' de se unirem a partidos políticos no que considerou uma inédita rede de oposição contra um presidente da República. Em uma nota de 45 linhas, em seu blog, Dirceu pediu vigilância total à militância petista. Sem direitos políticos pelos próximos oito anos, Dirceu faz do blog o principal canal de comunicação com os companheiros e de críticas aos adversários, à imprensa e, agora, ao Judiciário.

'Nunca um presidente e um partido enfrentaram uma frente tão ampla de oposição, que inclui não apenas PSDB, PFL e PPS, mas, infelizmente, setores do Judiciário, do TSE e do TCU, os novos burocratas da mídia, que tomaram de assalto - por decisão, anuência, concordância ou omissão dos seus proprietários - as redações dos jornais, as rádios e as TVs, e, por fim, as eternas elites privilegiadas do nosso Brasil', diz um trecho do texto, intitulado 'Hora de Avançar'.

Na visão de Dirceu, o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais uniu as forças conservadoras. 'Pela ação, melhor dizendo, reação da oposição, reuniu-se de novo no Brasil a fina flor da direita conservadora, as oligarquias, as elites endinheiradas de São Paulo, setores da classe média udenista, todos numa cruzada contra a esquerda progressista e tudo aquilo que o PT e Lula representam na história recente do Brasil', afirma.

Embora tenha citado os partidos que apóiam o candidato Geraldo Alckmin, Dirceu não se refere diretamente ao tucano. Ataca o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE).

O ex-ministro não especifica que ações dos tribunais embasam sua tese de que agem como oposição, mas alerta os petistas sobre a necessidade de 'garantir a governabilidade' até a posse e no primeiro ano do governo. 'Vamos manter a guarda alta, a vigilância, mobilizar a militância, ir para as ruas, aprofundar o debate programático e vencer as eleições dia 29.'

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