Título: Hora da estratégia
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Fonte: O Estado de São Paulo, 03/10/2006, Especial, p. H1
No dia seguinte à realização do primeiro turno, o presidente Lula mudou sua retórica eleitoral, se aproximando do estilo ¿paz e amor¿ de 2002. O candidato à reeleição agora quer debater e deixou para trás o tom triunfalista, resultado da certeza de que venceria no domingo. Lula deu entrevista e não tratou mais o dossiê Vedoin como uma estratégia golpista - virou um ¿mistério¿.
O presidente disse ontem que quer saber ¿quem arquitetou essa obra de engenharia para atirar no próprio pé¿, referindo-se ao material contra tucanos produzido pela família Vedoin, que chefiava a máfia dos sanguessugas. Petistas graduados do comitê de reeleição participaram da operação, que foi descoberta e é apontada como razão para o PT não vencer no primeiro turno.
Ontem, o dia foi de reuniões na campanha de Lula, depois de conhecido o resultado final da primeira votação - o petista acabou com 48,61% dos votos válidos, contra 41,64% do tucano Alckmin. O comando da reeleição decidiu rediscutir sua estratégia, contando com a ajuda dos petistas ¿bons de voto¿, especialmente os governadores eleitos Jaques Wagner e Marcelo Déda.
Alckmin, fortalecido pela passagem para a disputa final, ontem já partiu para a ofensiva. ¿Lula teve sua chance e deixou passar¿, disse. Como seu adversário, o tucano quer contar com a ajuda de partidários que disputam o segundo turno nos Estados - quesito em que leva vantagem, por ter o apoio de sete candidatos, contra cinco do lado do presidente Lula.
Na Câmara, houve renovação de pouco menos da metade das cadeiras. É um índice menor do que em 1990, quando 62% dos parlamentares não se reelegeram, mas superior ao das duas eleições anteriores. No Senado, os partidos que hoje são oposição levaram vantagem. PFL e PSDB devem chegar a 33 assentos, dependendo do resultado de eleições estaduais pendentes, número suficiente para pedidos de CPI.
Apenas sete partidos superaram a cláusula de barreira, que exigia 5% dos votos válidos para a Câmara. PMDB, PT, PFL, PSDB, PP, PTB e PSB continuarão tendo funcionamento normal. As demais legendas e seus 118 ¿deputados zumbis¿ perdem direito ao fundo partidário e a participar de CPIs, por exemplo.