Título: Petrobrás e YPFB adiam negociação mais uma vez
Autor: Nicola Pamplona
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/10/2006, Economia, p. B9

A Petrobrás e a estatal boliviana YPFB decidiram ampliar, mais uma vez, o prazo de negociações sobre o preço do gás importado pelo Brasil. Segundo comunicado conjunto divulgado na noite de ontem, as negociações serão retomadas oficialmente no dia 10 de novembro.

Também ontem, a prefeitura do departamento de La Paz (equivalente no Brasil a um governo estadual) disse que vai pedir ao governo central a expropriação de uma concessão exploratória da Petrobrás no norte do departamento.

O prazo para negociações a respeito do preço do gás foi ampliado pela primeira vez há dois meses, por causa da falta de acordo entre as duas partes. Os bolivianos querem aumentar o preço para até US$ 7,5 por milhão de BTU, alegando que a cotação atual, em torno dos US$ 3,80, está defasada em relação ao mercado internacional. A Petrobrás, por sua vez, nega que haja espaço para novos aumentos. No último dia 1º, o gás importado subiu 2,1%, seguindo a fórmula de reajuste trimestral prevista em contrato.

Em rápida entrevista concedida ontem pela manhã, o presidente da YPFB, Juan Carlos Ortíz, havia dito que as duas empresas continuavam conversando, mas o próximo passo só seria definido depois de contatos telefônicos ao longo do dia. Agora, a definição do tema ficará para depois do segundo turno das eleições brasileiras. Logo após a realização do primeiro turno, autoridades bolivianas avaliaram que a indefinição no quadro eleitoral do Brasil poderia dificultar as negociações entre os dois países.

No comunicado, as companhias afirmam que o novo prazo 'permitirá que Petrobrás e YPFB aprofundem, conjuntamente, esforços na busca de soluções mutuamente aceitáveis para o tema em discussão.' O contrato prevê que, em falta de acordo, a questão pode ser levada à arbitragem internacional.

Nas negociações a respeito dos novos contratos de concessão, o governo da Bolívia mantém o prazo estipulado no decreto de nacionalização, que vence em 28 de outubro, segundo informou o vice-ministro de exploração e produção, Guillermo Aruquipa. Segundo ele, o governo recebeu na terça-feira os primeiros informes sobre as auditorias feitas em 56 campos de petróleo no país e os dados serão analisados até o fim desta semana. Os números vão balizar as novas relações entre YPFB e empresas privadas, principalmente no que diz respeito à remuneração dos concessionários.

EXPROPRIAÇÃO

O secretário-geral da prefeitura de La Paz, Alejandro Zapata, disse ontem a uma rede de TV local que vai pedir ao governo central a expropriação de uma concessão da estatal brasileira no norte do departamento. Segundo ele, a idéia é realizar nova licitação internacional para repassar a área. 'Há empresas interessadas que querem investir no norte de La Paz e, como não há investimentos até agora, devemos cancelar a concessão', afirmou.

A Petrobrás tem direitos para explorar petróleo em uma área chamada Rio Ondo, mas não obteve licença ambiental para iniciar os trabalhos. Após a nacionalização, suspendeu os investimentos no país. A empresa não comentou o assunto.