Título: Otan enfrenta Taleban e mata 70
Autor: AP E REUTERS
Fonte: O Estado de São Paulo, 30/10/2006, Internacional, p. A4

Combates, um dos piores desde 2001, ocorreram depois que rebeldes tentaram atacar base militar no sudeste do país

Num dos mais violentos combates ocorridos no Afeganistão desde a invasão americana do país, em outubro de 2001, tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e do Exército do Afeganistão mataram 70 rebeldes do Taleban, durante um confronto que durou várias horas nas imediações de uma base militar no sudeste do país.

O enfrentamento aconteceu no sábado, quando um grupo de 100 a 150 rebeldes da milícia fundamentalista islâmica lançou um ataque contra a base regional da Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf) - liderada pela Otan -, localizada ao norte de Tirin Kot, capital da província de Uruzgan. As tropas aliadas reagiram com uma ofensiva terrestre, apoiada por reforços aéreos de helicópteros e aviões. Segundo a Otan, não houve baixas de suas tropas - apenas um soldado afegão teria ficado ferido.

A região onde ocorreram os confrontos é de difícil acesso e a Otan não deu maiores detalhes do confronto. Num comunicado divulgado ontem, a Isaf limitou-se a informar que suas tropas estão realizando em Uruzgan uma ofensiva conjunta com Exército afegão, chamada Operação Águia, para impedir que os insurgentes ¿desestabilizem a área¿.

Em outro atentado, próximo à mesma base da Isaf, um soldado da Otan foi morto ontem e outros oito ficaram feridos, depois que uma bomba atingiu o veículo em que viajavam.

Vizinha à província de Kandahar, Uruzgan é um reduto dos taleban e considerada o principal foco de violência no Afeganistão nos últimos meses. A base militar na região tem mil soldados holandeses e 300 australianos. A Otan, que tem no total 32 mil soldados no país, assumiu a autoridade de Uruzgam há um mês. Até então, a província era comandada por forças lideradas pelos EUA.

Os confrontos do final de semana ocorreram após um polêmico ataque da Otan, na quinta-feira, no distrito de Panjwayi, em Kandahar. Autoridades afegãs acusaram a organização ocidental de ter matado ao menos 40 civis na operação. A Otan reconheceu a morte de 12 não-combatentes, que teriam sido usados como ¿escudos humanos¿ pelo Taleban.

No sábado, o general americano James Jones - comandante militar da Otan - viajou para Cabul para pedir desculpas pessoalmente ao presidente afegão, Hamid Karzai. Um dia antes, o secretário-geral da organização, Jaap de Hoop Scheffer, já havia lamentado a morte dos civis.

Após o ataque, o Taleban acusou a Otan de cometer ¿genocídio¿ no país e fez ameaças de intensificar os ataques. Diante da crescente violência na região, o presidente afegão chegou a propor ao Taleban conversações de paz. A milícia recusou, afirmando que não vai negociar até que as forças estrangeiras deixem o país.

Na semana passada, a Cruz Vermelha e organizações humanitárias criticaram a Otan por usar táticas militares que, cada vez mais, atingem civis - e isso estaria fazendo com que a população se volte contra a organização. Mais de 3.100 pessoas morreram em combates e atentados no Afeganistão desde a derrubada do regime do Taleban, em 2001, incluindo 150 soldados estrangeiros.