Título: Há mais autoridades ligadas à quadrilha de Rondônia, diz PF
Autor: Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/08/2006, Nacional, p. A10

Procurador-geral de Justiça e até o próprio governador estão sob suspeita

A Polícia Federal tem indícios de que há mais magistrados e membros do alto escalão do Ministério Público e do Poder Executivo envolvidos na quadrilha, desarticulada pela Operação Dominó, que há cerca de três anos desviava recursos públicos em Rondônia. Os próximos alvos incluem o procurador-geral de Justiça, Abdiel Ramos Figueira, que escapou da prisão por pouco, mais dois desembargadores do Tribunal de Justiça e 21 deputados. As investigações alcançarão até mesmo o governador Ivo Cassol (PPS), autor da denúncia que originou a abertura do inquérito na PF.

Abdiel e Cassol negaram envolvimento no esquema. Candidato à reeleição, o governador disse que é vítima da quadrilha, e não réu. "Fui eu que fiz as denúncias há dois anos", disse ele, referindo-se à fita de vídeo, divulgada na imprensa, em que um grupo de dez parlamentares aparece lhe pedindo suborno de R$ 50 mil, cada, para garantir maioria ao governo na Assembléia. Cassol disse que substituirá o candidato a vice-governador de sua chapa, Carlos Magno Ramos, preso na operação, se ficar comprovado sua ligação com a quadrilha. "Não creio no envolvimento dele, mas cada um que responda pelo seu CPF ", avisou, referindo-se ao número de cadastro de pessoa física na Receita Federal.

Realizada na sexta-feira, a operação prendeu até agora 23 pessoas, entre as quais os presidentes da Assembléia, José Carlos de Oliveira (PSL), o Carlão, suposto líder da quadrilha, e do Tribunal de Justiça de Rondônia, desembargador Sebastião Teixeira Chaves. Por força da imunidade e das prerrogativas, 21 deputados envolvidos no esquema deixaram de ser presos. Pelo menos mais 130 pessoas - incluindo servidores e altos dirigentes dos três Poderes do Estado - serão investigadas nessa fase e podem também ser processadas.

A quadrilha desviou cerca de R$ 70 milhões num período de dois anos abrangido pelas investigações. A PF vai concentrar as investigações também no cruzamento de dados financeiros e na verificação do patrimônio velado dos suspeitos. Alguns deles, sobretudo deputados e desembargadores, ostentam padrão de riqueza muito elevado. Há indícios de que os bens estão em nome de terceiros. Por isso serão checadas procurações para advogados, escrituras em nome de laranjas e outras formas de dissimulação patrimonial.

Com cerca de 600 páginas até agora produzidas, o inquérito tem provas densas sobre o envolvimento de dirigentes dos três Poderes no desvio sistemático de dinheiro público. Na Assembléia, os parlamentares desviavam recursos por meio de licitações viciadas, superfaturamento de serviços e chegaram a criar uma folha salarial paralela, com assessores fictícios. O dinheiro ia diretamente para a conta dos deputados ou de seus familiares e assessores, ou ainda era resgatado por empresas de fachada.