Título: Publicitário reverte estrago causado pela crise
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/08/2006, Nacional, p. A4
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o publicitário João Santana para ser consultor do governo, no auge da crise política de 2005, nem imaginava que o destino o deixaria diante de um nordestino como ele. Não era só: por uma dessas ironias da vida, Santana nasceu numa cidade pobre do sertão baiano chamada Tucano.
Indicado pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ganhou a confiança de Lula. Foi dele a idéia de substituir nos discursos o indefectível "companheiros e companheiras" pelo elegante "meus amigos e minhas amigas". Além disso, identificou muitos problemas de comunicação no Planalto e sugeriu a Lula que regionalizasse a publicidade.
A tática surtiu efeito: cada Estado ganhou uma propaganda sobre como os programas do governo mudavam a vida do eleitor. Foi tiro e queda. A partir dali, o presidente passou a recuperar a popularidade abalada pela crise.
Santana começou a trabalhar com marketing político em 1993, levado por Duda Mendonça, o publicitário que assinou a vitoriosa campanha de Lula, em 2002, e foi indiciado em inquérito da PF por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ex-sócio de Duda, cuidou de várias campanhas no Brasil e no exterior, como a de Eduardo Duhalde para a presidência da Argentina, em 1999, e a de Palocci para a prefeitura de Ribeirão Preto, em 2000.
Além de publicitário, Santana é jornalista, escritor e compositor. Foi chefe da sucursal de Veja em Salvador e da IstoÉ, em Brasília. Em 1992, ganhou o Prêmio Esso com a reportagem "Eriberto: Testemunha Chave". Depois que passou a cuidar da imagem de Lula, o Ministério Público o acusou de ter enviado R$ 528 mil a paraísos fiscais entre 1999 e 2001 e por pouco ele não desistiu da campanha. Na época, disse que as denúncias eram "inconsistentes". Ao contrário de Duda, Santana é dono de estilo discreto,apreciado por Lula.